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Vai viajar? Dólar dispara após eleição e analistas alertam para moeda cara até o fim do ano

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Dólar segue perto de R$ 5,30 após disparada com a eleição. Analistas veem moeda entre R$ 5,20 e R$ 5,50 e recomendam compras graduais.

Projeções apontam câmbio entre R$ 5,20 e R$ 5,50 nos próximos meses; especialistas recomendam comprar moeda aos poucos para reduzir o risco

Quem pretende viajar para o exterior nos próximos meses deve se preparar para um dólar ainda pressionado. Depois da forte disparada registrada no primeiro pregão após a eleição presidencial, a moeda norte-americana devolveu parte dos ganhos, mas permanece em um patamar elevado.

Na quarta-feira (28), a taxa de venda da PTAX do Banco Central fechou em R$ 5,3420. Já na abertura desta quinta-feira (29), o dólar comercial voltou a subir e era negociado perto de R$ 5,36.

O movimento ocorre depois de uma segunda-feira de forte estresse no mercado. No primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o dólar chegou a subir mais de 8%, enquanto a Bolsa sofreu forte queda e acionou o mecanismo de circuit breaker.

Dólar pode seguir perto de R$ 5,30

Analistas ouvidos pelo mercado financeiro trabalham com um cenário de dólar permanecendo próximo dos níveis atuais até o fim de 2026.

As projeções mais otimistas apontam a moeda em torno de R$ 5,20, enquanto estimativas mais cautelosas não descartam uma cotação próxima de R$ 5,50.

Esse intervalo não representa uma previsão garantida. O câmbio depende de fatores internos e externos, como política fiscal, juros nos Estados Unidos, preço do petróleo e percepção de risco dos investidores.

Antes da eleição, o Boletim Focus ainda refletia expectativas mais baixas para o câmbio. O relatório do Banco Central reúne semanalmente projeções de instituições do mercado financeiro para inflação, juros, atividade econômica e dólar.

Contas públicas entram no centro das atenções

Depois da eleição, uma das principais preocupações do mercado passou a ser a política fiscal do próximo mandato.

Analistas avaliam que a trajetória da dívida pública, o nível de gastos e eventuais medidas de ajuste poderão determinar se o real recuperará parte do valor perdido ou continuará pressionado frente ao dólar.

A reação do mercado, porém, não depende apenas da política brasileira. Decisões de juros do Federal Reserve, comportamento da economia norte-americana e tensões internacionais também influenciam diretamente o câmbio.

Quem vai viajar deve comprar dólar agora?

Para quem já tem viagem internacional marcada, a recomendação mais recorrente entre especialistas é evitar tentar acertar o menor preço da moeda.

A estratégia sugerida é parcelar a compra do dólar ao longo do tempo, formando um preço médio e reduzindo a exposição a movimentos bruscos.

Quem viajar no fim do ano, por exemplo, pode fazer compras semanais. Para viagens mais distantes, os aportes podem ser feitos em intervalos maiores, como a cada 15 dias.

A lógica é simples: se o dólar cair, parte da moeda será comprada mais barata. Se subir, o viajante já terá adquirido uma parcela anteriormente e ficará menos exposto à alta.

Comprar tudo de uma vez aumenta risco

A tentativa de esperar pelo “melhor momento” pode dar certo, mas também pode terminar em prejuízo caso o dólar tenha uma nova disparada perto da data da viagem.

O episódio pós-eleição mostrou justamente esse risco. Na sexta-feira anterior ao segundo turno, o dólar havia fechado abaixo dos R$ 5, mas sofreu forte valorização no primeiro pregão depois da votação.

Nos dois dias seguintes, houve uma acomodação parcial, com a moeda voltando à região de R$ 5,30, mas sem retornar aos níveis registrados antes da eleição.

Cartão também exige atenção

Além de acompanhar a cotação do dólar, quem viaja deve observar os custos envolvidos em cada forma de pagamento.

Compras com cartão internacional podem incluir spread cambial e impostos, enquanto dinheiro em espécie e contas globais apresentam custos diferentes.

Por isso, comparar taxas e evitar concentrar todos os gastos em uma única modalidade pode ajudar a reduzir despesas.

Cenário ainda pode mudar

Apesar das projeções atuais, o dólar pode oscilar significativamente até o fim do ano.

Uma sinalização de maior controle fiscal pode ajudar a reduzir a percepção de risco e favorecer o real. Por outro lado, aumento de gastos, deterioração das contas públicas ou mudanças no cenário internacional podem pressionar novamente a moeda.

Para o viajante, a principal recomendação é não transformar uma previsão de mercado em certeza.

Em um período de volatilidade elevada, distribuir as compras ao longo do tempo tende a reduzir o impacto de uma eventual nova disparada.

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