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Rogério Marinho contradiz Flávio e diz que PL não tem provas de fraude eleitoral

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Rogério Marinho durante entrevista coletiva no Senado Federal

Coordenador da campanha presidencial afirma que partido não pode sustentar acusação sem evidências; PL reconheceu vitória de Lula nas urnas

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que nem ele nem o Partido Liberal possuem provas para sustentar a acusação de fraude eleitoral feita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota no segundo turno da eleição presidencial.

Marinho, que coordenou a campanha de Flávio à Presidência, fez a declaração durante entrevista coletiva em Brasília nesta quarta-feira (28).

“O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, disse o senador.

Flávio acusou fraude sem apresentar provas

A manifestação ocorreu depois de Flávio divulgar uma carta na qual voltou a contestar o resultado da eleição e afirmou que teria ocorrido fraude no segundo turno.

Na primeira versão do documento, o senador chegou a se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Pouco depois, o texto foi substituído por uma nova versão na qual Flávio passou a se definir como “líder do Brasil”.

Marinho afirmou que não havia sido consultado previamente sobre a carta e classificou o texto como um desabafo do ex-candidato.

O senador ressaltou, porém, que uma acusação de fraude precisa ser acompanhada de evidências.

PL reconheceu vitória de Lula

A declaração de Rogério Marinho coincide com a posição oficial adotada pela direção nacional do PL.

O partido reconheceu o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral e a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, embora mantenha questionamentos judiciais sobre suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha.

Lula venceu a eleição com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 48,21%.

A diferença foi de 4.430.191 votos.

Extensão da votação teve pouco mais de 34 mil votos

Na carta, Flávio também questionou a extensão do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo dados citados pela Agência Brasil, apenas 34.393 votos foram registrados durante as duas horas adicionais de votação, número muito inferior à diferença superior a 4,4 milhões de votos entre os candidatos.

A prorrogação havia sido solicitada tanto por representantes da campanha de Lula quanto pela campanha de Flávio em diferentes localidades.

Até o momento, não foram apresentadas provas públicas de fraude capazes de colocar em dúvida o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Marinho mantém acusações sobre abuso de poder

Apesar de rejeitar a afirmação de fraude nas urnas sem provas, Rogério Marinho disse que o PL continuará questionando judicialmente aspectos da campanha de Lula.

Segundo o senador, a legenda apresentou ações ao Tribunal Superior Eleitoral relacionadas a suposto abuso de poder econômico e uso da máquina pública.

Essas acusações serão analisadas pela Justiça Eleitoral e, até eventual decisão, não significam que tenha ocorrido irregularidade comprovada.

Marinho rejeita intervenção dos Estados Unidos

O senador também comentou as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a eleição brasileira.

Marinho afirmou que Trump tem direito de expressar opiniões, mas defendeu que questões internas do Brasil sejam resolvidas pelos próprios brasileiros.

“Eu espero que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil”, declarou.

A fala ocorre enquanto Flávio permanece nos Estados Unidos após deixar o Brasil e anunciar que pretende continuar atuando politicamente a partir do exterior.

Divergência expõe tensão após derrota

A declaração de Rogério Marinho explicita uma diferença importante entre o discurso adotado por Flávio e a posição institucional do partido.

Enquanto o ex-candidato sustenta publicamente a existência de fraude, o coordenador de sua própria campanha afirma que não há provas para fazer essa acusação, e a direção nacional do PL reconhece o resultado oficial da eleição.

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