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Caso Master pode ter até 60 novas fases, mas ministros do STF seguem fora do radar da PF

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Material apreendido na Operação Compliance Zero ainda passa por perícias e cruzamentos de dados. Investigação sobre o Banco Master pode avançar sobre políticos, operadores financeiros e estruturas ligadas ao esquema.

A Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo do Banco Master, ainda está longe de terminar. Segundo informações publicadas pela Gazeta do Povo, o volume de material apreendido pela Polícia Federal pode render de 50 a 60 novas fases da investigação.

Mesmo com a existência de informações consideradas relevantes sobre possíveis ligações políticas e institucionais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ministros do Supremo Tribunal Federal não estariam, neste momento, no radar direto das apurações.

Fontes ligadas ao caso afirmam que não há sinais de movimentação para investigar ministros da Corte, familiares ou eventuais conexões com o esquema Master. Uma investigação contra integrante do STF precisa ser autorizada pelo próprio Supremo.

A Polícia Federal não comenta oficialmente investigações em andamento, mas a avaliação interna é de que a força-tarefa ainda tem muito a avançar em outras frentes, especialmente sobre operadores financeiros, empresários, agentes públicos e representantes dos Três Poderes que possam ter dado sustentação política ou institucional ao esquema.

O caso é tratado como um dos maiores escândalos do setor bancário brasileiro. O rombo deixado pela liquidação extrajudicial do Banco Master e de instituições ligadas ao conglomerado, como Will Bank e Banco Pleno, é estimado em cerca de R$ 52 bilhões.

O prejuízo ficou sob responsabilidade do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, e comprometeu parte relevante dos recursos do fundo, levando bancos públicos e privados a discutir formas de recomposição para preservar a cobertura aos investidores.

De acordo com a reportagem, o material apreendido nas primeiras fases da operação inclui milhares de documentos, relatórios físicos, planilhas, cerca de 120 dispositivos eletrônicos e uma grande quantidade de arquivos armazenados em nuvem.

A análise desse conteúdo ainda está em andamento e envolve perícias, cruzamento de dados e rastreamento de conexões entre operadores financeiros, empresas, agentes públicos e núcleos políticos.

Investigadores estimam que apenas 15% a 20% do cronograma previsto tenha sido executado até agora. A expectativa é de que a operação continue por meses e possa avançar até 2027.

Entre as próximas frentes de investigação podem estar estruturas ligadas a fundos de previdência estaduais e municipais, empresas de fachada, possíveis beneficiários de vantagens indevidas e operadores que teriam ajudado a movimentar recursos do esquema.

O calendário eleitoral também é observado com atenção. Apesar de haver restrições legais para prisão de candidatos nos 15 dias que antecedem a eleição, medidas como buscas e apreensões, quebras de sigilo, bloqueios de bens e novas frentes investigativas podem continuar, desde que autorizadas pela Justiça.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, já declarou que a corporação não deve suspender operações durante o período eleitoral quando houver indícios de crimes e autorização judicial.

No caso da Compliance Zero, cada nova fase depende de autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A Procuradoria-Geral da República também é consultada antes das decisões sobre buscas, apreensões ou prisões.

Até agora, a investigação já alcançou diferentes agentes políticos e autoridades. Também foram atingidos familiares de Daniel Vorcaro. Além do próprio ex-banqueiro, estão presos seu pai, Henrique Vorcaro, o primo Felipe Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel.

A expectativa nos bastidores é que novas revelações surjam à medida que a PF avance na análise do material apreendido. A operação, segundo fontes ligadas ao caso, ainda tem potencial para abrir uma longa sequência de desdobramentos.

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