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PF mira Lulinha: Mendonça autoriza inquérito sobre suspeita de tráfico de influência

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A investigação pretende apurar possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência relacionados à tentativa de comercialização de produtos de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde.

Segundo as informações divulgadas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pelo g1, a Polícia Federal suspeita que Lulinha possa ter atuado, ao lado da empresária Roberta Luchsinger, em favor da empresa World Cannabis, ligada ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

O Careca do INSS é apontado pela PF como um dos principais operadores do esquema investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos sobre benefícios de aposentados e pensionistas.

 

Pedido cita Ministério da Saúde e gabinete presidencial

De acordo com a Polícia Federal, o novo inquérito também cita contatos entre os alvos da investigação e servidores públicos, inclusive ligados ao gabinete do presidente Lula.

A suspeita é de que eventual tráfico de influência tenha sido exercido junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência da República.

Ainda segundo o material, o lobista teria tentado fechar contratos para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal. O contrato, no entanto, não foi concluído.

Um dos nomes mencionados é o de Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que foi secretário-executivo do Ministério da Saúde. Ele recebeu o Careca do INSS na pasta no início de 2025.

Berger afirmou, em nota ao g1, que a agenda ocorreu dentro das atribuições do cargo e que não houve qualquer tipo de orientação política. Ele também disse que o Ministério da Saúde não demonstrou interesse em adquirir produtos ou serviços da empresa, e que o encontro não teve desdobramentos.

Relação com Roberta Luchsinger e Careca do INSS

A investigação aponta que Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, teria prestado consultoria ao Careca do INSS na área de canabidiol.

Segundo a PF, foram identificados pagamentos do lobista para a empresa RL Consultoria, ligada a Roberta. Os investigadores querem esclarecer se houve eventual repasse para agentes públicos ou atuação indevida para abrir portas dentro do governo.

Roberta já afirmou que prestou consultoria ao lobista, mas negou irregularidades. Ela também disse que apresentou o Careca do INSS a Lulinha em um contexto social e que seu contrato não previa a comercialização de substâncias.

A defesa de Roberta também nega que tenha repassado qualquer valor a Lulinha.

Defesa de Lulinha nega irregularidades

A defesa de Lulinha nega que ele tenha praticado qualquer ilegalidade.

Os advogados afirmaram anteriormente que o filho do presidente não participou de negociações, não investiu trabalho nem dinheiro e não recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas no projeto comercial da World Cannabis.

Em março, a defesa confirmou que Lulinha viajou a Portugal em 2024 com o Careca do INSS para conhecer uma fábrica de medicamentos à base de canabidiol. Segundo os advogados, a viagem ocorreu a convite do lobista e não resultou em nenhum contrato, negócio ou participação comercial.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou ao g1 que a PF pediu o novo inquérito porque não teria encontrado irregularidades envolvendo o filho do presidente no caso do INSS. Para a defesa, a nova apuração seria uma tentativa de buscar elementos em outra área.

Até a publicação das reportagens, o Palácio do Planalto e os advogados de Lulinha não haviam comentado o novo pedido específico de investigação. As defesas de Roberta Luchsinger e do Careca do INSS disseram que não tinham conhecimento sobre o pedido e não se manifestaram sobre o conteúdo.

Como o caso chegou ao STF

O pedido da Polícia Federal foi enviado ao Supremo durante o recesso do Judiciário.

Inicialmente, o caso passou pela presidência do STF porque a avaliação era de que os fatos não teriam relação direta com a Operação Sem Desconto, que já tramita sob relatoria de André Mendonça.

O ministro Alexandre de Moraes, que estava no plantão da Corte, pediu parecer da Procuradoria-Geral da República. A PGR afirmou que as quebras de sigilo apresentadas pelos investigadores indicavam a possível prática de crime sem relação direta com a investigação do INSS, e opinou pelo sorteio de um novo relator.

O caso acabou distribuído a André Mendonça, que autorizou a abertura do inquérito.

Lula já disse que filho deve ser investigado se houver suspeita

No fim do ano passado, o presidente Lula afirmou que qualquer pessoa deveria ser investigada se houvesse suspeita de envolvimento em irregularidades, inclusive familiares.

Na ocasião, Lula disse que, se um filho dele estivesse envolvido em algum caso, deveria ser investigado.

A nova apuração ainda está em fase inicial. Até o momento, não há denúncia, julgamento ou condenação contra Lulinha nesse caso.

A investigação deverá apurar se houve tráfico de influência, corrupção ou tentativa de favorecimento em negócios ligados à cannabis medicinal no Ministério da Saúde.

Como se trata de uma investigação em andamento, todos os citados têm direito à defesa e à presunção de inocência.

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