Política
Barroso fica fora de carta que cobra reação de Fachin no STF
Ex-presidente da Corte diz que prefere preservar diálogo com ministros em posições opostas para buscar uma solução interna
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso decidiu não assinar o manifesto subscrito por 13 ex-ministros da Corte que cobra do presidente Edson Fachin uma reação diante da atual crise institucional no tribunal. Barroso afirmou que prefere manter abertos os canais de diálogo com ministros que hoje ocupam posições divergentes.
Segundo o ex-ministro, a assinatura de uma manifestação pública poderia limitar sua atuação nos bastidores. Por isso, ele comunicou aos antigos colegas que pretende continuar conversando com integrantes do Supremo e contribuir para uma solução interna.
Barroso deixou o STF há poucos meses e ainda mantém relações pessoais com ministros da atual composição. Entre os interlocutores citados estão Alexandre de Moraes e André Mendonça, que aparecem em campos opostos no contexto da crise.
Em mensagem encaminhada aos ex-ministros, Barroso afirmou que não se sentiria confortável em aderir a um manifesto externo se isso comprometesse sua possibilidade de atuar de forma reservada. Ainda assim, ele manifestou apoio a Edson Fachin e elogiou a postura do atual presidente da Corte.
Barroso também relatou que tem mantido conversas com diferentes ministros nas últimas semanas. Segundo ele, inclusive durante uma internação hospitalar recente, recebeu visitas de colegas que atualmente ocupam posições antagônicas.
Manifesto pede apuração urgente

Edson Fachin, presidente do STF, é alvo da cobrança de ex-ministros por uma sessão pública para discutir a crise na Corte – Foto: Reprodução
A carta assinada por 13 ministros aposentados defende que Fachin convoque, com urgência, uma sessão pública do plenário do STF. O objetivo, segundo o documento, é permitir que os 11 ministros da Corte decidam sobre a abertura de uma apuração “imediata e rigorosa” dos fatos que vieram a público.
Os signatários classificam o momento como a “mais aguda crise” da história do Supremo. Além disso, afirmam que as revelações podem afetar o prestígio e a autoridade do tribunal, a confiança da população e a estabilidade das instituições democráticas.
Ao mesmo tempo, os ex-ministros ressaltam que qualquer investigação deve respeitar o devido processo legal. O texto também expressa confiança na capacidade de Edson Fachin para conduzir o tribunal diante da crise.
Assinam o documento Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.
Além de Barroso, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio também ficaram fora da manifestação.
A ausência de Barroso chama atenção porque ele não rejeitou o conteúdo da carta nem se colocou contra a cobrança feita pelos ex-colegas. Em vez disso, escolheu preservar uma posição de interlocução com diferentes grupos dentro do STF.
Dessa forma, enquanto os 13 ex-ministros fizeram uma cobrança pública a Fachin, Barroso aposta em conversas reservadas para tentar contribuir com uma saída institucional para a crise.
Com informações da g1
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