Política
Governo Lula barra enviados de Trump que pretendiam discutir eleições no Brasil
Integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos disseram que buscavam reuniões com autoridades eleitorais brasileiras
O Ministério das Relações Exteriores negou os pedidos de visto apresentados por dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar a Brasília para reuniões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro.
A decisão foi tomada na sexta-feira, dia 24. Os pedidos haviam sido apresentados por Riley M. Barnes, secretário assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, secretário assistente adjunto do órgão. Segundo o Itamaraty, os dois informaram que desejavam manter encontros com autoridades envolvidas nas eleições brasileiras.
A missão ocorreu em um momento de aumento das tensões entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. De acordo com autoridades brasileiras ouvidas sob anonimato pelo Washington Post e pela Reuters, os representantes americanos pretendiam levantar dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral antes da votação presidencial de outubro.
TSE recebeu pedido de reunião
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou que a Embaixada dos Estados Unidos entrou em contato com a área internacional da Corte para tratar de uma possível visita dos representantes americanos.
Segundo o TSE, porém, a pauta específica do encontro não foi informada. A reunião também não chegou a ser marcada porque o Judiciário estava em período de recesso.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro suspeitaram que os enviados também tinham interesse em conversar com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL. Esse possível encontro, no entanto, não teria aparecido na documentação apresentada ao governo brasileiro.
A proximidade entre a solicitação dos vistos e declarações recentes de Flávio sobre o sistema eleitoral aumentou a desconfiança do Planalto em relação aos objetivos da viagem.
Flávio questionou urnas em evento
Durante um encontro com diplomatas realizado em Brasília, Flávio Bolsonaro citou documentos produzidos por órgãos americanos sobre suspeitas de fraudes eleitorais na Venezuela. O senador também relacionou o caso à empresa Smartmatic e ao sistema brasileiro de votação.
O TSE afirma que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem programas utilizados nas eleições brasileiras. Segundo a Corte, o projeto da urna e o sistema eletrônico de votação são desenvolvidos e administrados pela própria Justiça Eleitoral.
A negativa dos vistos foi interpretada por integrantes do governo como uma medida destinada a impedir qualquer tentativa de interferência externa no processo eleitoral. O Planalto também acompanha campanhas de desinformação e ações coordenadas que possam influenciar a opinião dos eleitores antes da votação.
Atritos entre Brasil e Estados Unidos
O episódio amplia os recentes atritos diplomáticos entre os governos brasileiro e americano. O Planalto avalia que declarações de integrantes da gestão Trump, disputas comerciais e críticas ao Judiciário e à regulação das plataformas digitais fazem parte de uma pressão política crescente sobre o Brasil.
Semanas antes, o Itamaraty havia revogado o visto do subsecretário de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Darren Beattie. O governo brasileiro teria concluído que os objetivos reais da viagem não estavam completamente descritos no pedido apresentado às autoridades.
Oficialmente, Beattie participaria de um evento sobre minerais críticos em São Paulo. Segundo as informações divulgadas, ele também pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, encontro que não constava inicialmente na documentação entregue ao Itamaraty.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos não anunciou se apresentará novos pedidos de visto para Barnes e Samson ou se tentará realizar as reuniões por outros canais diplomáticos.
Com informações do Poder360
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