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Jornal alemão publica artigo que questiona Estado de Direito no Brasil e critica relação entre Lula e STF

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Flávio Bolsonaro durante chegada a Miami após deixar o Brasil

Em texto de opinião, correspondente Tobias Käufer acusa governo de instrumentalizar o Judiciário e cita medidas contra Flávio Bolsonaro, nomeações ao Supremo e atuação de Moraes

O jornal alemão Die Welt publicou nesta quinta-feira (29) um artigo de opinião que levanta uma das críticas internacionais mais duras ao atual cenário político e judicial brasileiro. Assinado pelo correspondente para a América Latina Tobias Käufer, o texto traz no título a pergunta: “O Brasil ainda é um Estado de Direito?”.

A análise parte da saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial e critica a rapidez das medidas judiciais adotadas contra o senador.

O texto, porém, deve ser entendido como opinião do autor, e não como uma conclusão factual ou posição institucional de todo o jornal. Käufer é correspondente para a América Latina e publica análises e comentários políticos sobre a região.

Autor fala em “campanha de vingança” contra Flávio

Käufer afirma que a reação judicial contra Flávio após a eleição transmitiu a impressão de uma ofensiva contra o adversário derrotado de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o correspondente, o pedido da Polícia Federal para restringir os passaportes de Flávio chegou ao Supremo pouco depois da confirmação do resultado eleitoral.

No artigo, Käufer interpreta esse movimento como sinal de que integrantes do Judiciário teriam interesse político direto no desfecho da eleição, uma vez que alguns ministros poderiam enfrentar pedidos de impeachment em um eventual governo da oposição.

Essa é uma interpretação do articulista e não uma conclusão judicial ou fato comprovado.

Artigo questiona independência do Supremo

Outro eixo da crítica é a relação entre governos e nomeações para o Supremo Tribunal Federal.

Käufer compara a reação internacional à escolha de André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro e identificado com o segmento evangélico, com a recepção às nomeações feitas por Lula.

O autor cita especificamente Cristiano Zanin, que foi advogado pessoal de Lula, e Flávio Dino, que integrou o governo antes de assumir uma cadeira no Supremo.

Na avaliação de Käufer, o tratamento dispensado às duas situações teria sido desigual.

As nomeações de ministros do STF, contudo, seguem o procedimento previsto pela Constituição: indicação pelo presidente da República e aprovação pelo Senado.

Moraes e liberdade de imprensa entram na crítica

O correspondente também menciona episódios relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.

No artigo, ele critica medidas envolvendo jornalistas e questiona decisões relacionadas à proteção de fontes, apresentando esses casos como sinais de desgaste da confiança no Judiciário.

Käufer também relaciona a atuação do Supremo às investigações que atingem Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro e sustenta que isso alimentaria a percepção de uso político do sistema de Justiça.

Essa leitura é contestada por ministros e instituições brasileiras, que têm sustentado que as investigações seguem procedimentos legais e são conduzidas em processos submetidos à fiscalização judicial.

Odebrecht e Nadine Heredia são citados

O artigo ainda recupera episódios ligados à corrupção na América Latina.

Käufer menciona a operação envolvendo a Odebrecht e critica o que considera falta de interesse das autoridades brasileiras em determinadas informações relacionadas ao escândalo.

Também cita a decisão do governo brasileiro de conceder asilo à ex-primeira-dama peruana Nadine Heredia, condenada por corrupção no Peru.

A partir desses episódios, o autor constrói a tese de que haveria tratamento desigual entre aliados e adversários políticos.

Articulista critica declaração de Lula

Outro ponto destacado é uma declaração de Lula após a saída de Flávio do Brasil.

Questionado sobre o episódio, o presidente afirmou, em essência, que quem foge teria algo a esconder.

Para Käufer, Lula deveria ter evitado comentar um processo judicial em andamento e limitado sua manifestação a dizer que o Judiciário deveria cumprir seu papel.

O correspondente interpreta a fala presidencial como uma possível sinalização política ao sistema de Justiça.

Mais uma vez, essa é uma interpretação editorial do autor, e não prova de interferência direta do presidente em decisões judiciais.

Die Welt já vinha acompanhando eleição brasileira

Tobias Käufer publicou diversos textos sobre o Brasil durante a campanha presidencial de 2026.

Antes do segundo turno, analisou a possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro e os impactos geopolíticos que isso poderia provocar. Depois da eleição, escreveu também que a derrota de Flávio poderia abrir espaço para uma reorganização da direita brasileira.

Em outra análise publicada após a eleição, Käufer também descreveu o Brasil como um país que se tornou mais conservador no Congresso, apesar da permanência de Lula na Presidência.

Críticas internacionais ampliam debate sobre Judiciário

A publicação do Die Welt acrescenta uma nova voz ao debate internacional sobre os limites de atuação do Supremo, a independência entre os Poderes e o papel das instituições brasileiras.

O artigo não apresenta uma conclusão jurídica de que o Brasil deixou de ser um Estado de Direito. Ele constrói uma crítica política e institucional, baseada na interpretação do correspondente sobre decisões recentes, nomeações para o STF e investigações envolvendo integrantes da família Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, as instituições brasileiras continuam operando sob a Constituição de 1988, com eleições periódicas, Congresso em funcionamento, Judiciário independente e mecanismos institucionais de recurso, fiscalização e controle.

A publicação alemã, portanto, representa um sinal de que o debate sobre o Judiciário brasileiro e a relação entre política e Justiça ultrapassou as fronteiras do país e passou a ocupar também espaços relevantes da imprensa europeia.

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