EUA AFASTAM RISCO IMEDIATO AO PIX APÓS CLASSIFICAÇÃO DE PCC E CV COMO ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS

Porta-voz do Departamento de Estado afirma que sanções serão direcionadas a pessoas e empresas que prestem apoio material às facções; governo brasileiro temia impacto sobre o sistema de pagamentos

Os Estados Unidos indicaram que o Pix não está entre os alvos iniciais das sanções decorrentes da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Em entrevista ao Poder360, a porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou que a implementação das medidas será voltada a indivíduos e entidades que prestem apoio material às facções criminosas, ressaltando que a responsabilização depende da comprovação de intenção de colaborar com os grupos.

A declaração ocorre em meio a preocupações dentro do governo brasileiro sobre possíveis efeitos da decisão norte-americana sobre o sistema de pagamentos instantâneos. O receio ganhou força porque o Pix opera com infraestrutura tecnológica que inclui serviços de computação em nuvem fornecidos por empresas sediadas nos Estados Unidos.

Segundo Roberson, o foco da nova política será bloquear ativos, restringir vistos e atingir financeiramente organizações e pessoas que colaborem deliberadamente com o PCC e o CV.

“As designações agora vão entrar na fase de implementação. Sabemos que o setor financeiro brasileiro é sofisticado e compreende suas responsabilidades para cumprir a legislação americana”, declarou.

EUA descartam intervenção militar

A representante do governo norte-americano também rejeitou especulações sobre qualquer possibilidade de atuação militar dos Estados Unidos em território brasileiro em decorrência da classificação das facções.

De acordo com ela, a legislação utilizada para enquadrar PCC e CV como organizações terroristas prevê apenas sanções financeiras e restrições migratórias.

“A lei americana é muito clara: não contempla nenhum tipo de ação militar”, afirmou.

PCC e CV já atuariam em estados americanos

Roberson declarou ainda que autoridades americanas identificaram atividades ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho em aproximadamente um quarto dos estados dos EUA, incluindo Flórida, Nova York, Massachusetts e Nova Jersey.

Segundo a porta-voz, a presença das facções em território norte-americano foi um dos fatores que levaram o governo Donald Trump a adotar a classificação.

Pressão por ações mais duras no Brasil

Embora tenha ressaltado que cabe ao Brasil definir suas próprias estratégias de combate ao crime organizado, Roberson afirmou que Washington espera medidas mais rigorosas contra as facções.

“O trabalho e o impacto desses grupos demonstram que são necessárias ações mais fortes”, disse.

A representante também destacou que a cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas continuará ocorrendo normalmente e negou que a decisão possa comprometer a relação econômica entre os dois países, que mantêm mais de dois séculos de relações diplomáticas e comerciais.

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