PF aponta apartamento milionário, voos privados e show internacional em relação entre Jaques Wagner e empresário ligado ao Master

Investigação da Operação Compliance Zero aponta que senador recebeu benefícios que incluiriam imóvel em Salvador, voos em aeronaves privadas e ingressos para show internacional. Defesa nega irregularidades.

A Polícia Federal apontou o senador Jaques Wagner (PT-BA) como o principal beneficiário de uma série de vantagens econômicas supostamente concedidas por pessoas ligadas ao Banco Master. Entre os benefícios citados pelos investigadores estão um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, voos em aeronaves privadas e ingressos para um show internacional nos Estados Unidos.

As informações constam da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que autorizou mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira durante a nona fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, o elo entre Wagner e o caso passa pelo empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e também alvo da operação.

Entre os elementos reunidos pelos investigadores está uma mensagem enviada pelo senador em novembro de 2024 com detalhes de um apartamento localizado em Salvador. No conteúdo, Wagner informa a unidade desejada e o valor do imóvel: “A unidade é a 1702 e o preço é R$ 2,45 milhões”.

A investigação também cita conversas relacionadas à obtenção de ingressos para um show internacional realizado na Califórnia. De acordo com a PF, os bilhetes teriam valor estimado em R$ 63,3 mil. Em mensagens analisadas pelos investigadores, Wagner pergunta sobre os ingressos, e recebe a confirmação de que eles haviam sido providenciados.

Outro ponto destacado pela Polícia Federal envolve o uso de aeronaves vinculadas ao empresário. Em um episódio registrado em outubro de 2023, Augusto Lima teria colocado um helicóptero à disposição do senador e de familiares para um deslocamento na Bahia. Já em abril de 2024, mensagens indicam que Wagner solicitou contato de um piloto para uma viagem ao Rio de Janeiro.

Na avaliação da PF, os benefícios identificados podem estar relacionados à atuação política do senador em temas de interesse do grupo investigado. Essa é uma das linhas de apuração que embasaram as medidas autorizadas pelo Supremo.

A defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela Polícia Federal são desnecessárias e sustentou que o empresário vem colaborando com as autoridades há meses. Em nota, os advogados afirmaram que todas as operações conduzidas por ele ocorreram dentro da legalidade e que a investigação demonstrará a licitude dos fatos.

A origem da relação

Os investigadores também reconstruíram a origem da relação entre Augusto Lima e integrantes do governo da Bahia. Segundo documentos analisados pela PF, os contatos remontam a 2017, período em que Jaques Wagner ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado.

Na época, o governo baiano buscava privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede de supermercados estatais Cesta do Povo. O ativo acumulava prejuízos e despertava pouco interesse do mercado até a entrada de Augusto Lima na disputa.

O empresário venceu o leilão após o governo incluir no projeto a operação do cartão consignado Credcesta, destinado a centenas de milhares de servidores, aposentados e pensionistas da Bahia.

Posteriormente, o governo estadual concedeu exclusividade ao programa por 15 anos. Com a expansão do negócio, Augusto Lima buscou uma instituição financeira para administrar a operação. O parceiro escolhido foi justamente o Banco Master, então controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, de quem se tornaria sócio.

A Polícia Federal investiga se a relação empresarial construída a partir desse período evoluiu para uma rede de benefícios e contrapartidas que hoje está no centro das apurações da Operação Compliance Zero.

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