PF revela nova engrenagem do caso Jaques Wagner e expõe operadores ligados ao ex-sócio de Vorcaro

Investigação da Operação Compliance Zero avança sobre intermediários que teriam participado de negociações imobiliárias e financeiras relacionadas ao Banco Master.

A Polícia Federal identificou novos personagens na estrutura de operadores jurídicos e financeiros investigada no âmbito da Operação Compliance Zero. As descobertas surgiram durante a nona fase da investigação, que teve como um dos alvos o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Segundo a PF, um dos operadores teria atuado diretamente na negociação do apartamento que, de acordo com os investigadores, foi destinado ao senador pelo banqueiro Augusto Lima. Outro investigado, irmão de um dos principais aliados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, também teria participado das tratativas relacionadas ao imóvel e da intermediação de pagamentos destinados a uma empresa ligada ao grupo familiar de Wagner.

De acordo com a representação policial, mensagens obtidas durante a investigação mostram que, após receber informações sobre o apartamento — incluindo a unidade e o valor do imóvel —, Augusto Lima repassou os dados a um operador identificado como Valério. O contato estava registrado em seu celular como “Valério Fundos”.

A PF afirma ainda que outro investigado, identificado como David, também teve participação nas negociações. Conforme os investigadores, Augusto Lima encaminhou o contato de David a Jaques Wagner após o senador solicitar informações sobre o proprietário formal do imóvel. O nome do operador aparece ainda em conversas envolvendo cobrança de documentos e pagamentos relacionados à transação.

Por considerar que os investigados poderiam interferir em documentos, testemunhas ou estruturas empresariais ligadas às negociações financeiras e imobiliárias, a Polícia Federal incluiu David entre os alvos da nova fase da operação.

David é irmão do advogado Daniel Lopes Monteiro, preso em abril deste ano. Considerado pela PF um dos homens de confiança de Daniel Vorcaro, Monteiro já havia sido apontado como peça-chave em diferentes frentes investigativas relacionadas ao ex-controlador do Banco Master.

Segundo a polícia, mesmo após as primeiras fases da operação, Daniel Monteiro teria atuado para reorganizar juridicamente a situação do imóvel investigado, elaborando minutas contratuais e instrumentos de cessão de direitos aquisitivos. A suspeita de possível interferência nas provas motivou novas medidas contra o advogado.

Investigadores avaliam que o material apreendido com Monteiro pode ajudar a esclarecer outras estruturas supostamente montadas por Vorcaro. A PF considera o advogado uma figura central não apenas no caso que apura o pagamento de vantagens indevidas ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, mas também em outros negócios sob investigação envolvendo o antigo comando do Banco Master.

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