Rombo nas contas públicas sobe para R$ 56,1 bilhões em maio e dívida atinge maior nível desde 2022

Resultado fiscal piorou em relação ao mesmo mês de 2025. Juros elevados pressionaram as contas públicas e elevaram a dívida bruta para 81,1% do PIB.

As contas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central. O resultado representa uma piora em relação ao mesmo período de 2025, quando o rombo foi de R$ 33,7 bilhões, e levou a dívida bruta do país ao maior patamar desde outubro de 2022.

No acumulado dos últimos 12 meses, o déficit primário chegou a R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB).

O principal responsável pelo resultado negativo foi o Governo Central, que registrou déficit de R$ 55,2 bilhões. Os governos estaduais e municipais tiveram saldo negativo de R$ 1,2 bilhão, enquanto as empresas estatais fecharam o mês com superávit de R$ 300 milhões.

Além do resultado primário, o pagamento de juros da dívida continuou pressionando as contas públicas. Em maio, os juros nominais somaram R$ 107,5 bilhões, acima dos R$ 92,1 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado.

Com isso, o déficit nominal — que inclui o pagamento de juros — alcançou R$ 163,7 bilhões apenas em maio. No acumulado de 12 meses, o rombo nominal já soma R$ 1,26 trilhão, o equivalente a 9,62% do PIB.

Outro dado que chamou atenção foi o avanço da Dívida Bruta do Governo Geral, que atingiu 81,1% do PIB, o equivalente a R$ 10,6 trilhões. O indicador subiu 0,9 ponto percentual em relação a abril e alcançou o maior nível desde outubro de 2022, impulsionado principalmente pelo pagamento de juros e pela emissão de novos títulos públicos.

Já a Dívida Líquida do Setor Público chegou a 67,9% do PIB, ou R$ 8,9 trilhões. Segundo o Banco Central, o aumento foi influenciado pelo déficit primário e pelos juros, enquanto o crescimento do PIB nominal e a desvalorização do real frente ao dólar ajudaram a conter parte dessa alta.

O Banco Central também divulgou simulações indicando que uma redução de 1 ponto percentual na taxa Selic, mantida por um ano, reduziria a dívida líquida em cerca de R$ 65 bilhões e a dívida bruta em R$ 59,3 bilhões.

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