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Contrabando de Canetas Emagrecedoras Explode no Brasil: PF Registra Aumento de 20 Vezes e Acende Alerta
Mercado clandestino abastecido pelo Paraguai dispara, movimenta milhões e preocupa autoridades com riscos à saúde
O contrabando de canetas emagrecedoras vive uma explosão no Brasil. Dados da Polícia Federal obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação revelam que as apreensões desses medicamentos cresceram de forma vertiginosa nos últimos anos, impulsionadas principalmente pela entrada ilegal de produtos vindos do Paraguai.
Somente entre janeiro e meados de junho de 2026, a PF registrou 758 apreensões, número que representa um crescimento de aproximadamente 20 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, quando haviam sido contabilizadas apenas 37 ocorrências. Em 2024, foram nove registros em todo o ano.
Entre os medicamentos mais encontrados estão produtos à base de tirzepatida e semaglutida, princípios ativos utilizados em canetas emagrecedoras como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.
Carga de R$ 2 milhões foi interceptada no Paraná
Um dos maiores flagrantes ocorreu em 16 de abril, na rodovia PR-445, próximo a Cambé (PR). Após uma perseguição em alta velocidade, policiais interceptaram um veículo transportando uma carga clandestina avaliada em R$ 2 milhões.
Além de 880 celulares e 55 notebooks, os agentes encontraram cerca de 7 mil ampolas de tirzepatida e medicamentos anabolizantes.
Segundo o processo que tramita na Justiça Federal, o motorista confessou que receberia R$ 5 mil para transportar a carga da cidade de Medianeira, na fronteira com o Paraguai, até São Paulo.
Paraguai se consolida como principal rota
As investigações apontam que a maior parte das cargas entra no Brasil pela fronteira com o Paraguai.
O Paraná concentra 37% das apreensões e mais da metade do volume total retido pela Polícia Federal. Somado ao Mato Grosso do Sul, o corredor responde por quase metade das ocorrências e cerca de 60% de todas as unidades apreendidas.
Segundo a PF, o esquema utiliza rotas já conhecidas do tráfico de drogas, especialmente pela região da tríplice fronteira, em Foz do Iguaçu.
Os criminosos também recorrem ao transporte aéreo, remessas postais internacionais e ao chamado método das “formiguinhas“, quando pequenas quantidades são transportadas por várias pessoas ou em diversas viagens para dificultar a fiscalização.
Quase 175 mil unidades já foram apreendidas
Entre 2024 e meados de 2026, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente 175 mil unidades de medicamentos ilegais relacionados às canetas emagrecedoras, incluindo ampolas, frascos e outros recipientes.
Em março deste ano, levantamento apontava que o valor das apreensões já ultrapassava R$ 51 milhões.
Anvisa intensifica fiscalização
Diante do avanço do mercado clandestino, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, somente neste ano, dez medidas proibindo a importação de medicamentos irregulares à base de GLP-1.
Em abril, uma operação conjunta entre Polícia Federal e Anvisa cumpriu 45 mandados de busca e realizou ações de fiscalização em 12 estados, mirando organizações envolvidas na importação irregular, falsificação, produção clandestina e comercialização ilegal desses medicamentos.
Casos de reações adversas também aumentam
O crescimento das apreensões veio acompanhado pelo aumento das notificações de efeitos adversos registradas pela Anvisa.
Os registros passaram de:
- 257 notificações em 2023;
- 449 em 2024;
- 1.122 em 2025.
A agência esclarece, porém, que ainda não há comprovação de que esse aumento esteja diretamente relacionado ao consumo de medicamentos contrabandeados, já que as notificações são voluntárias e não permitem identificar a origem dos produtos utilizados.
Especialistas alertam para riscos
O endocrinologista Carlos Couri destaca que o principal perigo do mercado clandestino não está apenas na procedência dos medicamentos, mas também na ausência de acompanhamento médico.
Segundo o especialista, muitas pessoas compram as canetas ilegalmente e passam a utilizá-las com base em orientações de redes sociais, conhecidos ou conteúdos gerados por inteligência artificial, sem qualquer avaliação clínica.
Além disso, a Anvisa lembra que esses medicamentos possuem contraindicações importantes e só devem ser utilizados mediante prescrição médica, com acompanhamento profissional durante todo o tratamento.
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