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Vorcaro teria usado menos de 1% dos R$ 80 bi captados para montar rede de influência em Brasília

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Segundo levantamento do Estadão, banqueiro captou cerca de R$ 80 bilhões pelo Banco Master entre 2019 e 2025 e teria gasto ou prometido gastar ao menos R$ 550 milhões em propinas, negócios, doações e benesses a autoridades.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria comandado um esquema altamente lucrativo de captação bilionária e aproximação política em Brasília. Segundo levantamento do Estadão, por meio da ferramenta chamada Vorcarosfera, o Master captou cerca de R$ 80 bilhões entre 2019 e 2025.

No mesmo período, Vorcaro teria gasto ou planejado gastar ao menos R$ 550 milhões para se aproximar de políticos, autoridades e pessoas influentes. O valor representa menos de 1% do total captado pelo banco.

A soma inclui suspeitas de pagamento de propina, negócios considerados acima dos valores de mercado, doações de campanha e benefícios oferecidos a autoridades, como festas, jantares, voos em jatinhos e degustações de bebidas de alto valor.

De acordo com a reportagem, o montante ainda pode aumentar, já que novas fases da investigação da Polícia Federal e novas revelações sobre o caso são esperadas.

A investigação aponta que Vorcaro não economizou para buscar apoio e simpatia em Brasília. Ainda assim, os valores destinados a essa rede de influência seriam pequenos quando comparados ao volume de dinheiro que entrou no Banco Master por meio de captações, CDBs e recursos ligados a fundos de pensão.

Entre os casos citados está o do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Segundo a Polícia Federal, ele receberia R$ 146 milhões em seis imóveis localizados em São Paulo e Brasília. Desse total, R$ 74 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Outro ponto mencionado envolve Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ela firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master e teria recebido cerca de R$ 80 milhões até novembro de 2025. A reportagem afirma que ainda faltam explicações mais detalhadas sobre os serviços prestados para justificar o valor.

A lista também cita o ex-ministro Fábio Faria. Uma empresa ligada à estrutura de negócios de Vorcaro teria pago R$ 67,5 milhões em um projeto do setor de energia eólica. Faria também atuava no mercado de compra e venda de precatórios, ativos que, segundo a investigação, teriam ajudado o Master a inflar artificialmente seu balanço.

O senador Flávio Bolsonaro também aparece no levantamento. Segundo a reportagem, ele teria pedido R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda não há esclarecimento completo sobre como esses recursos teriam sido usados.

O caso também envolve menções a ex-presidentes, ex-ministros, deputados, senadores e servidores do Banco Central.

A atuação do Banco Central foi decisiva para barrar a expansão do banco. Em setembro de 2025, o BC negou a proposta de compra do Master pelo Banco de Brasília. Dois meses depois, em novembro, o Master foi liquidado.

Segundo a reportagem, se a operação com o BRB tivesse sido aprovada, o plano de Vorcaro poderia ter continuado gerando lucros bilionários e ampliado ainda mais sua rede de proteção política.

As investigações sobre o Banco Master seguem em andamento. Daniel Vorcaro e os demais citados ainda podem apresentar defesa no curso dos procedimentos.

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