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Sanções contra rede do PCC revelam elo com PMs, criptomoedas e segurança de VIPs

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Documentos anexados a um processo trabalhista indicam que a Victory Trading, uma das empresas sancionadas pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com uma rede financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC), realizou pagamentos a policiais militares do Rio de Janeiro que atuavam como seguranças privados de pessoas consideradas “VIPs”.

Entre os clientes citados no processo está Kaze Fuziyama, que se apresenta como um dos mais jovens bilionários do setor de criptomoedas no Brasil.

Policial diz que fazia escolta armada

A ação trabalhista foi movida por Deivison Santos da Silva, policial militar que afirma ter atuado como segurança armado de Fuziyama e de sua família.

A Victory Trading aparece como uma das rés no processo porque, segundo os documentos juntados aos autos, ao menos um pagamento ao policial teria sido feito pela empresa.

A companhia, por sua vez, alegou na defesa que o serviço de segurança não era prestado individualmente, mas por uma equipe formada por policiais. Uma testemunha citou que o grupo seria coordenado por um subtenente identificado como Napolitano, responsável por organizar escalas e pagamentos.

Equipe teria até 12 policiais

Segundo depoimentos registrados no processo, a equipe de segurança contaria com cerca de 12 policiais, com parte do grupo atuando em regime de 24 horas e outra parte em turnos de 12 horas.

A defesa do policial afirma que a Victory Trading não seria apenas uma empresa de tecnologia ou cobrança, mas também uma estrutura usada para administrar despesas pessoais ligadas a Fuziyama.

No processo, os advogados de Deivison sustentam que o empresário teria participação oculta na empresa. Essa tese, no entanto, não foi reconhecida pela Justiça Trabalhista.

Justiça não reconheceu vínculo de emprego

A 35ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro rejeitou o pedido de reconhecimento de vínculo trabalhista entre Deivison e o grupo econômico ligado à Victory Trading.

Na sentença, a juíza Vanessa Ferreira de Albuquerque entendeu que não foram comprovados todos os requisitos necessários para caracterizar relação de emprego, como subordinação direta e pessoalidade.

Segundo a decisão, o policial atuava como prestador de serviço eventual e a coordenação das atividades era feita pelo subtenente responsável pela equipe, e não diretamente por Fuziyama ou pela empresa.

Empresa está na mira dos EUA

A Victory Trading pertence formalmente a Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposta participação em uma rede internacional de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC.

Segundo o governo americano, Shimada seria um elo entre operadores da facção na Flórida e traficantes internacionais.

As autoridades dos EUA afirmam que a estrutura ligada a ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando inclusive criptomoedas para enviar valores de volta ao Brasil em benefício da facção.

Caso também aparece na investigação do Corinthians

A Victory Trading também é citada em investigações brasileiras relacionadas ao contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet.

Segundo apurações no Brasil, a empresa teria sido usada em um suposto esquema de fraude publicitária e lavagem de dinheiro envolvendo recursos do acordo comercial.

Apesar da conexão pelo nome da empresa e de Victor Shimada, as investigações brasileiras e as sanções americanas tratam de frentes distintas. No Brasil, o caso envolve suspeitas sobre o contrato de patrocínio do Corinthians. Nos Estados Unidos, a apuração mira uma suposta rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Até o momento, os citados não têm condenação definitiva nesses casos e têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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