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Christa Pike sobrevive à injeção letal, e Tennessee suspende execuções

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Christa Pike com uniforme prisional vermelho.

Condenada recebeu duas doses de pentobarbital e foi hospitalizada após o procedimento, que será alvo de investigação independente

O governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu as execuções no estado americano até o fim do ano após Christa Gail Pike sobreviver à injeção letal. Segundo seus advogados, a condenada recebeu duas doses de pentobarbital na quarta-feira (30), mas permaneceu viva e precisou de hospitalização.

Lee também determinou uma investigação independente sobre o episódio. Até a divulgação da reportagem da Associated Press, não havia informações sobre o estado de saúde de Pike. Apenas uma outra execução estava prevista no Tennessee até dezembro.

Aos 50 anos, Pike seria a primeira mulher executada no estado em mais de dois séculos. Ela recebeu a sentença pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995, quando tinha 18 anos.

Christa Pike em registro prisional do Tennessee.

Christa Pike recebeu a sentença de morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, em 1995. | Foto: Reprodução

Inicialmente, as autoridades marcaram o procedimento para as 10h, na prisão de segurança máxima Riverbend, em Nashville. No entanto, uma disputa judicial adiou a execução até a noite, quando a equipe iniciou a tentativa de administrar a pena.

Testemunhas relatam reação durante o procedimento

Jornalistas acompanharam a execução de uma sala separada e viram Pike presa a uma maca quando as cortinas abriram, às 19h27. Ela permaneceu acordada e, em determinado momento, levantou a cabeça para perguntar se deveria sentir daquela forma o braço.

Não ficou claro a que sensação Pike se referia. Mais tarde, às 20h26, testemunhas relataram que a equipe havia administrado a segunda dose de pentobarbital.

Mesmo assim, os jornalistas continuaram ouvindo roncos atrás da cortina fechada. Às 20h53, a equipe desligou o microfone e anunciou que a imprensa deixaria a área. Depois, uma ambulância retirou Pike da prisão.

Veículos de emergência na entrada da prisão Riverbend.

Equipes de emergência chegaram à prisão Riverbend após a interrupção da execução de Christa Pike. | Foto: Reprodução

A porta-voz do Departamento de Correções do Tennessee, Dorinda Carter, informou às testemunhas que não tinha esclarecimentos imediatos sobre o ocorrido. Já a defesa apresentou pedidos emergenciais à Suprema Corte dos Estados Unidos e a dois tribunais federais.

Nos recursos, os advogados pediram a interrupção imediata da execução e atendimento para salvar a vida da condenada. Além disso, sustentaram que o procedimento provocava sofrimento desnecessário e violava a proibição de punições cruéis e incomuns.

A defesa também afirmou que havia alertado sobre dificuldades de acesso venoso, rompimento de veias, possível degradação do medicamento e falta de atendimento emergencial. Essas alegações integram a contestação dos advogados e não constituem conclusões da investigação anunciada pelo governador.

Para Robin M. Maher, diretora-executiva do Centro de Informações sobre a Pena de Morte, o episódio não tem paralelo. Segundo ela, outras sete pessoas sobreviveram a tentativas frustradas por dificuldades de acesso às veias, mas nenhuma após receber os medicamentos da execução.

Disputa judicial antecedeu a tentativa de execução

Christa Pike chorando com um lenço junto ao rosto.

Christa Pike cometeu o crime aos 18 anos; sua defesa pede clemência considerando sua idade e histórico de saúde mental. | Foto: Reprodução

Uma hora antes do horário inicialmente previsto, o Tribunal de Apelações do Sexto Circuito suspendeu o procedimento por dois votos a um. Na ocasião, a Corte considerou necessário aprofundar a análise das alegações de abuso sexual na infância apresentadas por Pike.

O gabinete do procurador-geral, porém, recorreu à Suprema Corte. Argumentou que a suspensão traumatizava a família da vítima e recompensava manobras da defesa para atrasar o cumprimento da sentença.

Horas depois, a maioria conservadora do Supremo americano autorizou a execução, sem explicar os fundamentos da decisão. Por outro lado, os três integrantes da ala liberal divergiram e defenderam uma análise mais aprofundada das alegações.

Pike não nega o assassinato. Entretanto, seus advogados e apoiadores pedem clemência com base na idade dela na época, nas doenças mentais e nos relatos de violência sexual.

Após o crime, profissionais diagnosticaram Pike com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático. Já no pedido de clemência, ela afirmou que pretendia brigar com Slemmer, mas matou a jovem durante um ataque de fúria.

Na declaração, Pike reconheceu a gravidade do assassinato e o sofrimento causado à família da vítima. Além disso, afirmou que levou anos para compreender o impacto de suas ações.

Por sua vez, o defensor público federal adjunto Stephen Ferrell classificou a sentença como excepcional. Segundo ele, outras condenações à morte de jovens de 18 anos no Tennessee acabaram anuladas.

Família da vítima cobra cumprimento da sentença

Colleen Slemmer estudava com Pike e o namorado dela, Shipp, em uma instituição de formação profissional de Knoxville. Segundo os promotores, Pike acreditava que a colega tentava se envolver com seu namorado. Por isso, atraiu a jovem para uma mata em 12 de janeiro de 1995.

Naquele local, Pike feriu Slemmer com um estilete e a espancou com um pedaço de asfalto. Shipp, por sua vez, admitiu ter gravado um pentagrama no corpo da vítima. Esse detalhe alimentou temores sobre cultos satânicos durante o chamado “pânico satânico” das décadas de 1980 e 1990.

Os dois receberam condenações pelo assassinato, mas apenas Pike teve sentença de morte. Já Shipp, que tinha 17 anos, recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.

A mãe de Slemmer, May Martinez, disse à Associated Press que espera há décadas pelo cumprimento da sentença. Além disso, relatou que um grupo arrecadou recursos para a viagem dela e do marido, da Flórida ao Tennessee, para acompanhar a execução.

Martinez afirmou que pensa diariamente na filha, que teria completado 51 anos em setembro. Segundo ela, os feriados tornam a ausência ainda mais dolorosa.

Tennessee já havia registrado outra tentativa frustrada

O episódio com Pike foi a segunda execução frustrada no Tennessee neste ano. Em maio, a equipe cancelou o procedimento de Tony Carruthers após tentar, por mais de uma hora, obter acesso intravenoso.

Antes disso, em 2024, o estado anunciou a substituição do protocolo de três drogas pelo uso exclusivo de pentobarbital. A mudança ocorreu mais de dois anos após a interrupção da execução de Oscar Smith. Naquele episódio, o Tennessee reconheceu que não havia garantido a testagem adequada dos medicamentos.

Segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte, os Estados Unidos executaram 18 mulheres desde a retomada da punição em 1976. Esse número representa cerca de 1% das execuções no período.

Pike, por sua vez, seria a 30ª pessoa executada no país em 2026. A tentativa ocorreu após uma execução na Flórida, realizada na terça-feira (29).


Com informações do g1

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