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Brasil

Governo Trump destina US$ 1 milhão a campanha contra o STF, diz Guardian

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Donald Trump sentado, com terno azul-marinho e gravata vermelha.

Programa prevê apoio a grupos civis que contestam a atuação da Corte brasileira, mas reportagem não identifica os destinatários dos recursos

O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão a uma iniciativa voltada a grupos que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação consta de uma reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada nesta quinta-feira (1º), segundo o conteúdo divulgado pela Veja.

Intitulado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, o subsídio financiaria organizações da sociedade civil contrárias ao que o programa descreve como excessos judiciais e censura. No entanto, a reportagem não esclarece quais grupos receberiam os recursos nem detalha o alcance das atividades previstas.

A iniciativa integra um conjunto de 43 concessões que totalizam US$ 176,9 milhões do principal fundo do Departamento de Estado destinado à agenda de direitos humanos. Segundo o jornal, o governo pressionou pela destinação das verbas a poucas horas do prazo final para utilização dos recursos.

Uma fonte ouvida pelo Guardian afirmou que a alocação ocorreu na quarta-feira (30), apesar de preocupações e pedidos do Congresso para que o governo não avançasse. Por sua vez, o Departamento de Estado não comentou o assunto.

Recursos incluem programas ligados a pautas conservadoras

Donald Trump diante de microfones.

Governo Trump pressionou pela aprovação de subsídios ligados a pautas conservadoras, segundo o Guardian. | Foto: Reprodução

Segundo fontes ouvidas pelo jornal, integrantes do governo Trump pressionaram diretamente pela aprovação dos subsídios. Além disso, uma delas afirmou que os programas receberam atenção dos escalões mais altos do Departamento de Estado e respaldo da Casa Branca.

O maior repasse, de US$ 40 milhões, foi destinado a um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation (VOC). A organização sem fins lucrativos, de orientação anticomunista, havia recebido valores menores anteriormente.

O documento citado pelo jornal também identifica Andrew Bremberg como uma liderança sênior da fundação. Ele atuou como assessor de política interna da Casa Branca no governo Trump e como embaixador americano junto ao escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) na Europa.

Já o programa “Promovendo Aliados da Civilização Ocidental” receberia US$ 2 milhões. Conforme o documento, a iniciativa restringiria o apoio a executores que não adotem determinadas abordagens sobre direitos humanos, incluindo o que o texto chama de “ideologia de gênero”.

Entre os possíveis beneficiários, aparecem grupos da Polônia, Eslováquia, República Tcheca, Hungria e dos Bálcãs. Segundo a documentação mencionada, eles adotariam posições anticomunistas e fundamentadas em direitos naturais.

As críticas relatadas pelo Guardian envolvem tanto a orientação política dos programas quanto seus possíveis efeitos diplomáticos. Nesse contexto, iniciativas voltadas à política interna de outros países poderiam provocar atritos com aliados dos Estados Unidos.

Relação com o STF teve sanções e críticas públicas

Vista geral do plenário do STF com ministros reunidos.

Ministros do STF foram alvo de medidas do governo Trump em 2025, posteriormente revogadas | Foto: Reprodução

A reportagem também recupera as sanções que o governo Trump aplicou a Alexandre de Moraes em 2025, após pressão de Eduardo Bolsonaro. O ministro foi alvo da Lei Magnitsky, mecanismo que permite bloquear ativos e impor restrições a estrangeiros sem autorização prévia do Congresso americano.

Além disso, Flávio Dino e Gilmar Mendes tiveram seus vistos de entrada nos Estados Unidos temporariamente suspensos naquele ano. Segundo o texto da Veja, todas essas medidas contra os magistrados, incluindo as sanções a Moraes, já foram revogadas.

Em setembro, Jason Miller, aliado e ex-assessor de Trump, publicou uma imagem criada por inteligência artificial que representava Moraes com tornozeleira eletrônica. Na mesma publicação, compartilhou uma reportagem do Financial Times sobre tensões no STF e possíveis reflexos nas eleições presidenciais brasileiras.

O jornal britânico abordava a disputa entre André Mendonça e Moraes e avaliava que ela poderia influenciar o cenário eleitoral. Essa projeção, porém, corresponde à análise do veículo, não a um resultado já demonstrado.

Miller também fez críticas ao presidente Lula em agosto de 2025, quando utilizou uma expressão depreciativa e o comparou a Joe Biden. Sua relação com Moraes, entretanto, remonta a um episódio ocorrido em 2021.

Naquele ano, após visitar Eduardo Bolsonaro em Brasília, agentes da Polícia Federal levaram Miller a uma sala no aeroporto internacional da capital. Ele prestou depoimento no âmbito do inquérito das fake news, conduzido por Moraes.

Miller integrou a equipe de Trump durante o primeiro mandato e participou da transição após a nova vitória eleitoral do republicano. Atualmente, segundo a reportagem, permanece próximo do presidente americano.


Com informações da VEJA

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