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Democratas retomam Câmara e Senado e impõem grande derrota política a Trump nos EUA
Partido conquista maioria nas duas Casas, avança em redutos republicanos e passa a controlar o Congresso na segunda metade do mandato presidencial
Os democratas retomaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 2026, alterando profundamente o equilíbrio político em Washington e impondo um duro revés ao presidente Donald Trump e ao Partido Republicano.
A Associated Press confirmou que o partido alcançou a maioria necessária nas duas Casas do Congresso. Os democratas conquistaram mais de duas dezenas de distritos republicanos na Câmara e avançaram em estados tradicionalmente conservadores na disputa pelo Senado.
O resultado significa que Trump passará a enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante os dois últimos anos do atual mandato.
Democratas avançam em redutos republicanos
A mudança mais surpreendente ocorreu no Senado.
Os democratas conquistaram cadeiras em estados como Texas, Kansas, Iowa, Ohio, Maine, Carolina do Norte e Carolina do Sul, segundo resultados e projeções já consolidados pela Associated Press.
No Texas, James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton e encerrou um jejum de mais de três décadas sem vitória democrata em uma disputa estadual no estado. Trump havia vencido o Texas por ampla margem na eleição presidencial de 2024.
No Kansas, a vitória democrata também teve peso histórico. Já na Carolina do Sul, outro estado de forte tradição republicana, os democratas conseguiram virar uma cadeira no Senado.
Eleitores apontaram custo de vida como preocupação central
Pesquisas de boca de urna indicaram que o custo de vida e a inflação tiveram peso decisivo na votação.
Segundo a Reuters, quase nove em cada dez eleitores disseram considerar o custo de vida um fator importante para decidir o voto, enquanto parcela expressiva responsabilizou Trump pela alta dos preços.
A guerra no Irã, suspeitas envolvendo integrantes do governo e a insatisfação com os rumos do país também apareceram entre as principais preocupações dos eleitores.
Câmara também muda de comando
Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram cadeiras suficientes para alcançar a maioria de 218 votos.
O partido venceu disputas competitivas em diferentes regiões do país e superou a vantagem mínima que os republicanos mantinham antes da eleição.
Com a mudança, Hakeem Jeffries fica em posição de assumir a presidência da Câmara e, se confirmado, será o primeiro negro a ocupar o posto.
Novo Congresso pode travar agenda de Trump
O controle democrata das duas Casas muda diretamente a capacidade do governo Trump de aprovar projetos.
Sem maioria no Congresso, o presidente passa a depender de negociações com a oposição para avançar parte relevante de sua agenda legislativa.
O Senado também tem papel fundamental na aprovação de autoridades indicadas pelo presidente, incluindo ministros, embaixadores e juízes federais e da Suprema Corte.
Com a nova maioria, os democratas ganham poder para bloquear indicações, convocar integrantes do governo para depor e abrir investigações parlamentares.
Investigações contra governo podem ganhar força
Líderes democratas já sinalizaram que pretendem intensificar a fiscalização sobre o Executivo.
Entre os temas que podem ser investigados estão decisões administrativas, contratos, possíveis conflitos de interesse e a atuação de integrantes do governo.
A possibilidade de novos processos de impeachment também passou a ser mencionada no debate político, embora não haja decisão formal nesse sentido.
Mesmo com o Congresso nas mãos da oposição, Trump continua com o poder de vetar projetos aprovados pelos parlamentares.
Para derrubar um veto presidencial, seria necessária uma maioria qualificada de dois terços tanto na Câmara quanto no Senado.
Trump minimiza derrota
Trump afirmou que aceitará o resultado, mas rejeitou a interpretação de que a votação represente uma derrota pessoal.
Segundo o presidente, problemas nas candidaturas republicanas contribuíram para o resultado.
A Reuters informou que diversos candidatos apoiados diretamente por Trump perderam disputas importantes, especialmente em estados como Texas, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Michigan.
As derrotas também reacenderam dentro do Partido Republicano o debate sobre a influência do presidente na escolha dos candidatos.
Resultado muda reta final do governo
As eleições de meio de mandato não substituem o presidente, mas definem quem controla o Legislativo durante a segunda metade do mandato.
Com Câmara e Senado sob controle democrata, Trump deverá enfrentar uma oposição institucional muito mais forte até a próxima eleição presidencial.
A nova configuração também pode afetar negociações sobre orçamento, política externa, imigração, impostos e futuras nomeações para a Suprema Corte.
A eleição ainda possui algumas disputas locais em processo de contagem, mas o controle das duas Casas já foi definido em favor dos democratas.
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