Conecte-se Conosco
 

Brasil

Famílias acusam médium de fraude em cartas psicografadas

Publicado

em

Máira Rocha escrevendo carta em arte sobre suposta fraude em cartas psicografadas

Denúncias contra Máira Rocha envolvem suspeitas de fraude, ameaças, charlatanismo e estelionato. Ela não aceitou gravar entrevista sobre as acusações.

Famílias que buscaram cartas psicografadas com a médium Máira Rocha afirmam ter encontrado nas supostas mensagens de parentes mortos informações que já estavam disponíveis na internet, em reportagens, redes sociais e documentos públicos. As acusações ganharam repercussão após uma investigação do Fantástico, que ouviu vítimas, pesquisadores e representantes de entidades espíritas durante mais de dois meses.

Máira Rocha é advogada, trabalha no Ministério da Saúde e ficou conhecida por atendimentos espirituais realizados em Brasília. No início de 2026, ela construiu a Casa da Caridade Inácio Daniel, instituição que, segundo a reportagem, atende cerca de 5 mil pessoas por mês e mantém atividades com doações.

Entre os serviços oferecidos estão as chamadas cartas consoladoras, apresentadas como mensagens psicografadas de pessoas já falecidas. Algumas famílias, porém, passaram a desconfiar da origem das informações depois de identificar erros e coincidências entre o conteúdo das cartas e dados previamente publicados na internet.

Famílias relatam erros e informações disponíveis online

Máira Rocha

Máira Rocha – Foto: Reprodução

Marcela Magalhães, mãe de Henrique, de 18 anos, relatou que Máira teria apresentado o jovem como jogador de futebol durante uma transmissão. Henrique, no entanto, nunca foi atleta profissional. Mais tarde, a família descobriu que uma reportagem publicada após a morte do rapaz havia cometido o mesmo erro.

Outro episódio aumentou a desconfiança. A médium teria associado Henrique a duas pessoas que apareciam com ele em uma fotografia, como se todos estivessem envolvidos no mesmo acidente. Segundo a família, a imagem era, na realidade, uma montagem de uma campanha de arrecadação de alimentos e reunia três jovens que morreram em momentos e circunstâncias diferentes.

Marina Escames também disse ter encontrado nas redes sociais elementos que apareciam em uma carta atribuída ao marido falecido. Entre eles estavam uma tatuagem de âncora, uma expressão usada por ele em uma mensagem e um vídeo envolvendo chá de camomila. O filho dela teria percebido as semelhanças ao consultar o perfil do pai.

A família ainda apontou uma informação que não estava publicada nas redes sociais: um episódio de bullying envolvendo o filho mais novo. Posteriormente, Marina afirmou ter descoberto que o próprio menino havia contado o caso a Máira antes da psicografia, ao entregar pessoalmente um bilhete à médium.

Diva Mascarenhas Borges também questionou a autenticidade de uma carta atribuída ao pai. Segundo ela, o texto trazia nomes usados apenas em documentos formais e uma data de nascimento incorreta que coincidia com informação publicada em um blog.

Denúncias chegaram à polícia e ao Ministério Público

Máira Rocha, médium citada em denúncias sobre cartas psicografadas

Máira Rocha, médium citada em denúncias sobre suposta fraude em cartas psicografadas — Foto: Reprodução/Globo

As acusações não se limitaram às divergências nas cartas. Sete lideranças espíritas assinaram um manifesto e apresentaram uma notícia-crime contra Máira Rocha envolvendo suspeitas de estelionato, charlatanismo e constrangimento de criança ou adolescente.

Segundo a reportagem, existem registros policiais contra a médium em pelo menos cinco estados por suspeitas relacionadas a estelionato, calúnia, difamação e ameaça. O Ministério Público também recebeu acusações envolvendo apropriação indébita, desvio de recursos e uma suposta rede de influência com servidores públicos. As alegações ainda dependem de apuração e não representam conclusão sobre responsabilidade criminal.

Marcela Magalhães afirmou ainda ter se sentido ameaçada após questionar a médium. De acordo com o relato, Máira teria mencionado a possibilidade de expor publicamente informações pessoais que Marcela havia compartilhado com ela.

Entidades espíritas alertam para possíveis fraudes

Representantes de instituições espíritas ouvidos pela reportagem fizeram distinção entre práticas mediúnicas conduzidas de forma séria e eventuais fraudes. Jorge Godinho, presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), criticou especialmente a realização de leilões ligados às atividades espirituais e afirmou que esse tipo de prática não faz parte dos ensinamentos da doutrina.

A reportagem também ouviu pesquisadores que estudam psicografia e possíveis fraudes. Pedro Camilo afirmou que a exigência antecipada de dados pessoais e longos intervalos entre inscrição e atendimento podem permitir buscas detalhadas sobre familiares falecidos em bases públicas e redes sociais.

Na Casa da Caridade, segundo depoimentos reproduzidos pela reportagem, participantes forneciam informações como nome completo, CPF e comprovantes de viagem antes das sessões. Marina Escames também relatou que, em uma chamada “fila do abraço”, Máira teria perguntado o nome completo do marido, a causa da morte e recebido uma fotografia dele.

Por outro lado, pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora destacaram que existem estudos científicos sobre psicografia conduzidos com protocolos de controle. Segundo Alexander Moreira-Almeida, pesquisas do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde procuram observar médiuns sem benefício financeiro e sem contato prévio com familiares para avaliar a origem das informações apresentadas.

O Fantástico informou que procurou Máira Rocha diversas vezes, enviou mensagens e tentou contato telefônico para que ela respondesse às denúncias. Segundo a reportagem, a médium não aceitou gravar entrevista.


Com informações do g1

Clique Para Comentar

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

TENDÊNCIA

Copyright © 2026 | CARDINOT