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Política

Bastidores do 7 de Setembro revelam tensão no STF

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Lula cumprimenta Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, no desfile de 7 de Setembro

Cerimônia teve conversas reservadas, encontros protocolares e sinais da crise que envolve ministros do Supremo e a Polícia Federal

O desfile de 7 de Setembro em Brasília reuniu os chefes dos Três Poderes neste domingo (7), mas parte das atenções ficou concentrada nos bastidores da cerimônia. Em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e integrantes do governo, autoridades protagonizaram encontros reservados, cumprimentos protocolares e conversas discretas na tribuna de honra.

Participaram do evento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do STF, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Ao mesmo tempo, o desfile adotou um tom mais institucional durante o período eleitoral, sem discursos das autoridades e com orientação para evitar manifestações que pudessem ser interpretadas como político-partidárias.

Antes da chegada de Lula, integrantes dos Poderes formaram diferentes grupos na área reservada. Geraldo Alckmin conversou com Alcolumbre e Hugo Motta, enquanto Fachin permaneceu durante parte do tempo mais reservado, acompanhado da esposa.

O presidente do STF também participou de uma conversa com integrantes do governo. Em determinado momento, reuniu-se com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.

Messias, Alcolumbre e Andrei chamam atenção nos bastidores

Lula cumprimenta Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, durante o desfile de 7 de Setembro

O presidente Lula cumprimenta Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, durante o desfile de 7 de Setembro, em Brasília – Foto: Reprodução

Um dos encontros observados envolveu Jorge Messias e Davi Alcolumbre. Os dois se cumprimentaram na tribuna de honra, meses depois de o Senado rejeitar a indicação de Messias para uma vaga no Supremo.

Segundo a reportagem que serviu de base para esta matéria, interlocutores atribuem a Alcolumbre participação importante na articulação política que inviabilizou a indicação. Messias havia sido escolhido pelo presidente Lula, mas perdeu a votação no plenário do Senado, em uma rejeição descrita como histórica desde 1894.

Outro episódio também chamou atenção na área reservada. Messias e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ficaram próximos em determinado momento, mas não houve cumprimento entre os dois. Em seguida, Andrei deixou o local.

A cena ganhou relevância porque ocorreu durante a crise provocada pela divulgação de um relatório de inteligência da PF relacionado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, e à relação dele com Messias.

De acordo com o documento citado na reportagem, a proximidade entre Mendonça e Messias aumentaria uma “percepção de risco” relacionada a uma eventual indicação do então chefe da Advocacia-Geral da União ao Supremo. No entanto, o próprio relatório teria registrado grau de confiança “baixo” e destacado que as informações não possuíam valor probatório.

Nos últimos dias, Messias passou a defender publicamente a atuação da Advocacia-Geral da União. Nesse contexto, afirmou que a função pública deve ser orientada pela Constituição e pelas regras institucionais, e não por amizades ou afinidades pessoais.

Entidades representativas das carreiras da Advocacia Pública Federal também reagiram à divulgação do relatório. Em nota, defenderam Messias e afirmaram que divergências jurídicas envolvendo a AGU não devem ser transformadas em elementos de suspeição sem a análise dos fundamentos técnicos das decisões.

Fachin mantém postura reservada durante cerimônia

Edson Fachin acompanha o desfile de 7 de Setembro na tribuna de honra em Brasília

Edson Fachin acompanha o desfile de 7 de Setembro na tribuna de honra, em Brasília, em meio à crise institucional envolvendo o STF – Foto: Reprodução

LEIA TAMBÉM: Fachin volta ao 7 de Setembro em cerimônia com Lula e chefes do Congresso

Edson Fachin adotou uma postura predominantemente protocolar durante o desfile. O presidente do STF participou de menos interações públicas que outras autoridades e permaneceu por longos períodos ao lado da esposa.

Sua presença ocorreu em meio à crise que atinge o Supremo após a divulgação de relatórios de inteligência da Polícia Federal envolvendo ministros da Corte. Por isso, os movimentos do presidente do tribunal durante a cerimônia ganharam atenção especial.

Na sexta-feira (4), Fachin retirou do Inquérito das Fake News o pedido apresentado por Alexandre de Moraes para investigar André Mendonça. Com isso, o presidente do Supremo determinou que a questão passasse a tramitar em um procedimento sob sua supervisão.

Além disso, Fachin abriu prazo para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e Mendonça se manifestem antes de uma decisão sobre os próximos passos do caso.

O presidente da Corte também afirmou anteriormente que considera graves os fatos revelados, mas defendeu que qualquer apuração siga as regras constitucionais. Segundo ele, a resposta institucional do Supremo será “firme, proporcional e rigorosa”.

Fachin ainda sinalizou medidas como o encerramento do Inquérito das Fake News e a criação de um código de ética para ministros do STF. Paralelamente, nos bastidores, indicou que pretende ouvir os envolvidos e levar ao plenário do Supremo os desdobramentos da crise que envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Conversa reservada com diretor da PF encerra os bastidores

Depois do encerramento da cerimônia, outra conversa reservada chamou atenção. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, permaneceu cerca de cinco minutos conversando com Andrei Rodrigues na tribuna de honra.

Em alguns momentos, Silveira falou próximo ao ouvido do diretor-geral da PF, que ficou de costas para o local onde estava posicionada a imprensa. Depois disso, Andrei deixou a área por uma saída localizada atrás da tribuna.

Durante o desfile, também houve manifestações do público. Grupos gritaram palavras de ordem pelo fim da escala de trabalho 6 por 1, enquanto apoiadores de Lula entoaram “Lula, eu te amo”. O presidente, por sua vez, respondeu fazendo um gesto de coração com as mãos.

O evento teve como temas institucionais a soberania nacional, o enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. Ainda assim, as movimentações nos bastidores refletiram o ambiente de tensão política em Brasília e os desdobramentos envolvendo STF, Polícia Federal, governo e Congresso.

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