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Economia

Setores produtivos rejeitam reciprocidade e cobram diálogo com os EUA

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Entidades alertam que uma reação comercial pode elevar custos, ameaçar empregos e ampliar a tensão entre Brasil e Estados Unidos

Entidades representativas do setor produtivo defenderam que o governo brasileiro priorize as negociações com os Estados Unidos antes de adotar medidas de retaliação ao novo tarifaço imposto sobre produtos nacionais.

A preocupação aumentou depois de Washington anunciar uma sobretaxa de 12,5% sobre mercadorias brasileiras. A medida se soma a outra tarifa de 25% divulgada anteriormente pelos Estados Unidos.

O governo norte-americano justificou a cobrança mais recente afirmando que dezenas de países, entre eles o Brasil, não adotaram medidas suficientes para impedir ou fiscalizar a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

O Palácio do Planalto rejeitou a acusação, classificou a decisão como arbitrária e anunciou o início dos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica. O Brasil também pretende levar a controvérsia à Organização Mundial do Comércio.

Empresas temem escalada comercial

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos manifestou preocupação com o aumento das barreiras impostas pelos Estados Unidos.

A entidade defendeu o fortalecimento dos canais diplomáticos e institucionais entre os dois países e declarou que não apoia a aplicação de medidas de retaliação comercial como resposta imediata.

A avaliação é que uma reação brasileira pode ampliar a disputa e atingir empresas que dependem de matérias-primas, máquinas, componentes ou mercados ligados aos Estados Unidos.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil também alertou que a reciprocidade pode agravar as divergências entre os dois governos. Segundo a entidade, uma escalada política e comercial traria riscos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros.

CNI considera negociação a prioridade

A Confederação Nacional da Indústria defendeu a continuidade das conversas com o governo norte-americano.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a negociação deve permanecer como prioridade e informou que a entidade ainda avalia os efeitos da nova tarifa sobre a indústria brasileira.

Os setores afetados temem que uma disputa prolongada reduza as exportações, provoque cortes na produção e ameace postos de trabalho.

Também existe o risco de aumento dos custos internos caso o Brasil eleve tarifas sobre produtos, equipamentos ou insumos importados dos Estados Unidos. Parte desse impacto poderia ser repassada ao consumidor.

Governo afirma que tentou negociar

Dentro do Itamaraty, diplomatas avaliam que os Estados Unidos não demonstraram disposição suficiente para discutir uma solução.

Segundo esse entendimento, as autoridades brasileiras apresentaram argumentos contra as tarifas, mas as reuniões realizadas até agora não produziram avanços concretos.

Mesmo entre integrantes do governo, porém, há a avaliação de que qualquer reação precisa ser cuidadosamente calculada para não provocar consequências ainda mais graves para o setor produtivo.

Reciprocidade não é aplicada imediatamente

O anúncio do governo não significa que novas tarifas contra produtos norte-americanos serão adotadas de forma automática.

A Lei nº 15.122, de abril de 2025, permite que o Brasil suspenda concessões comerciais, de investimentos e de direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas estrangeiras que prejudiquem a competitividade do país.

Antes da adoção de contramedidas, o processo pode incluir análise técnica, consultas às partes interessadas, definição de prazos e avaliação dos possíveis impactos econômicos.

Somente depois dessas etapas poderão ser apresentadas medidas específicas para decisão da Câmara de Comércio Exterior.

Impasse deve continuar

O governo brasileiro tenta demonstrar que possui instrumentos para reagir, enquanto representantes da indústria pressionam pela manutenção do diálogo.

A principal preocupação das empresas é evitar que a disputa se transforme em uma sequência de aumentos tarifários entre os dois países.

O resultado das negociações será decisivo para setores que dependem do mercado norte-americano e para consumidores brasileiros que podem ser atingidos por preços mais altos.


Com informações do g1 

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