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Flávio Bolsonaro chama Lula e Moraes de “sistema” e promete não disputar reeleição

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Em pronunciamento eleitoral, candidato do PL critica relação entre governo e parte do STF, defende fortalecimento da democracia e afirma que terá apenas um mandato caso seja eleito

O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, usou a propaganda eleitoral desta terça-feira (15) para elevar o tom contra o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em um pronunciamento com estética presidencial, Flávio afirmou que os dois fariam parte de um mesmo “sistema” e declarou que pretende fortalecer a democracia caso vença a eleição.

Ao apresentar sua mensagem, o candidato disse que o país vive um momento de “desequilíbrio institucional” e acusou o atual governo de ter governado em conjunto com uma parcela do Supremo que, segundo ele, teria descumprido a lei. As declarações fazem parte da estratégia eleitoral do senador e representam sua avaliação política sobre a relação entre o Executivo e o Judiciário.

“O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes. E, no fim, o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando”, declarou Flávio durante a propaganda.

A fala ocorre no mesmo dia em que o STF analisa uma questão envolvendo Alexandre de Moraes e pedidos relacionados à eventual abertura de investigação sobre o ministro. O caso ganhou repercussão política e passou a ser explorado pela campanha presidencial.

Flávio diz que não tentará reeleição

Durante o pronunciamento, Flávio Bolsonaro também reforçou a promessa de cumprir apenas um mandato presidencial caso seja eleito. O senador afirmou já ter apresentado uma proposta para acabar com a possibilidade de reeleição no Executivo.

Segundo ele, a decisão permitiria que um presidente concentrasse seus esforços exclusivamente na gestão do país, sem preocupação com uma nova disputa eleitoral.

“Eu não serei candidato à reeleição. Porque assim só terei como compromisso consertar o país. Essa é a minha missão”, afirmou.

Flávio também disse que pretende “fortalecer a democracia” e defendeu que a soberania popular seja colocada no centro das decisões políticas.

“Nós vamos mudar esse país, tirar os brasileiros do sufoco e fortalecer a nossa democracia, porque só há um caminho na democracia: onde o povo é soberano”, declarou.

Pronunciamento mira eleitores indecisos

A campanha substituiu o formato tradicional de propaganda eleitoral por uma fala direta de Flávio Bolsonaro. A estratégia busca apresentar o candidato com uma imagem mais presidencial e ampliar o diálogo com eleitores que ainda demonstram resistência ao seu nome.

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio tenta ampliar sua base eleitoral para além do eleitorado tradicionalmente identificado com o bolsonarismo. Na eleição de 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno por uma diferença de aproximadamente 2,1 milhões de votos, em um universo de 118,6 milhões de votos válidos.

A produção do programa foi conduzida pela equipe do marqueteiro Duda Lima, responsável pela campanha. No vídeo, Flávio afirma que estaria “interrompendo a campanha eleitoral” diante da gravidade do momento político, embora o pronunciamento faça parte da própria programação de campanha.

“O nosso destino é muito mais importante do que qualquer questão política. O Brasil está sendo passado a limpo”, afirmou.

Críticas a Lula, Moraes e ao STF

Em outro trecho, Flávio Bolsonaro acusou o governo Lula de produzir um desequilíbrio entre os Poderes.

“O atual governo criou um desequilíbrio institucional. Decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal, que descumpriu a lei”, declarou.

Na sequência, classificou como “podre” o que chamou de sistema político e institucional do país. As acusações foram apresentadas sem indicação, no pronunciamento, de provas específicas que comprovem uma atuação conjunta entre Lula e Moraes nos termos descritos pelo candidato.

Flávio também vinculou o tema à crise envolvendo Alexandre de Moraes e afirmou que pretende apresentar sua candidatura como alternativa ao atual cenário.

“Eu quero mais do que criticar, eu quero apresentar um caminho. Não é hora de rancor, é hora de ter esperança, é hora de mudar, mudar o Brasil para melhor”, disse.

Candidato reage a ataques da campanha adversária

O senador também respondeu às críticas feitas por adversários durante a campanha eleitoral. Segundo Flávio, o campo político ligado a Lula teria partido para ataques pessoais e tentado associá-lo a escândalos.

“Agora, na reta final, bateu o desespero no outro lado. Eles já partiram para o ataque baixo para me acusar de um monte de mentira”, afirmou.

A manifestação ocorre depois de peças publicitárias do campo governista apresentarem Flávio como “o pior dos Bolsonaros” e explorarem investigações e controvérsias envolvendo o candidato.

Entre os assuntos mencionados durante a campanha está a apuração no STF relacionada a tratativas para financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. A existência de investigação, contudo, não representa condenação ou comprovação de irregularidades.

Segurança e economia entram no discurso

Além das críticas políticas, Flávio Bolsonaro apresentou propostas nas áreas de segurança pública e economia. Ele prometeu classificar organizações criminosas como PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas caso seja eleito.

O candidato também afirmou que pretende reduzir juros e a dívida pública, associando o endividamento das famílias à situação fiscal do governo.

Segundo Flávio, seu projeto de governo pretende devolver aos brasileiros o que chamou de “soberania da segurança pública” e melhorar as condições econômicas da população.

No encerramento do pronunciamento, o candidato adotou um discurso de esperança e afirmou que o país poderá viver um novo período político caso haja mudança no comando do governo.

“O Brasil está sem presidente, mas é por pouco tempo. Um novo presidente está chegando”, declarou.

As afirmações integram a estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro e refletem a posição do candidato sobre o governo Lula, o STF e o atual cenário institucional brasileiro.

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