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PMs são suspeitos de usar falsos mandados e dados sigilosos para extorquir vítimas no Grande Recife

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Polícia Civil durante a Operação Chave Forçada contra esquema de falsos mandados e extorsão no Grande Recife

Operação Chave Forçada cumpriu cinco mandados em Paulista e Olinda; investigados teriam simulado ações policiais e exigido dinheiro para evitar prisões

Dois policiais militares de Pernambuco são investigados por suspeita de participação em um esquema criminoso que simulava operações policiais, utilizava falsos mandados de busca e apreensão e exigia dinheiro de vítimas no Grande Recife.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira (5) pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), após a deflagração da Operação Chave Forçada, que cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Paulista e Olinda, na Região Metropolitana do Recife.

Segundo a Polícia Civil, o grupo teria utilizado inclusive informações sigilosas de sistemas policiais para identificar possíveis alvos.

PMs são afastados das ruas

Os dois policiais militares investigados foram afastados das atividades operacionais e passarão a exercer funções administrativas.

Por determinação judicial, eles também terão as armas recolhidas e ficam proibidos de acessar sistemas de informação das forças de segurança.

Essa restrição foi imposta porque, segundo a investigação, dados de sistemas restritos teriam sido utilizados para levantar informações sobre pessoas que depois se tornavam alvos do grupo.

Grupo buscava pessoas com antecedentes

De acordo com a Polícia Civil, entre os alvos estavam pessoas que já haviam tido algum tipo de passagem pela polícia ou pelo sistema Judiciário.

A partir dessas informações, os investigados levantavam dados sobre as vítimas e repassavam o conteúdo a outros integrantes do esquema.

Depois disso, o grupo se apresentava nas casas ou estabelecimentos comerciais utilizando distintivos falsos, documentos de intimação e supostos mandados de busca e apreensão.

Suspeitos exigiam dinheiro para evitar ida à delegacia

Segundo a investigação, os criminosos ameaçavam as vítimas e exigiam pagamentos em dinheiro sob a alegação de que, caso contrário, elas seriam levadas para a delegacia.

O delegado-chefe do GOE, José Tenório, informou que até o momento foram identificadas três ações criminosas.

Em um dos casos, um ex-presidiário teria pago primeiro R$ 20 mil e, depois, mais R$ 10 mil para evitar ser levado à delegacia.

Segundo a polícia, os suspeitos alegavam que ele poderia voltar para a prisão caso não efetuasse os pagamentos.

Denúncia de magistrado ajudou a revelar esquema

A investigação começou a avançar depois que um magistrado da Vara de Execuções Penais procurou a chefia da Polícia Civil.

Segundo o relato, familiares de um ex-detento estavam sendo alvo de ameaças e extorsões repetidas.

Inicialmente, havia a suspeita de que policiais civis estivessem envolvidos, já que são eles que normalmente cumprem mandados de busca e intimações desse tipo.

Com o aprofundamento das apurações, a Polícia Civil passou a identificar a possível participação dos policiais militares e de outros integrantes do grupo.

Falsa operação terminou em roubo

A investigação também identificou um caso em que o grupo teria mantido uma falsa busca mesmo sem encontrar qualquer irregularidade na ficha da vítima.

Segundo o delegado, comerciantes com dinheiro em espécie também eram abordados.

Em uma dessas ações, como os suspeitos não teriam conseguido obter dinheiro por meio da extorsão, acabaram anunciando um roubo e levando caixas de som do estabelecimento.

Investigados podem responder por vários crimes

Segundo a Polícia Civil, os policiais militares investigados poderão responder por crimes como extorsão, roubo e violação de sigilo profissional, a depender do resultado final das investigações.

Durante a operação, armas de fogo também foram apreendidas com um dos investigados. A polícia não informou se o alvo era um dos PMs.

Polícia busca outros envolvidos

A investigação continua.

Os materiais apreendidos, incluindo mídias eletrônicas e outros objetos, serão analisados para reforçar as provas já reunidas e tentar identificar possíveis novos integrantes do esquema.

A Polícia Civil também busca esclarecer há quanto tempo o grupo atuava, quantas vítimas podem ter sido atingidas e qual era a participação de cada investigado.

Polícia faz alerta à população

Durante a coletiva, o delegado Cley Anderson chamou atenção para uma característica central do golpe.

Segundo ele, agentes de segurança não exigem pagamentos de pessoas durante operações policiais.

A orientação é procurar imediatamente as autoridades caso alguém se apresente como policial e peça dinheiro para evitar condução à delegacia ou cumprimento de alguma medida judicial.

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