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Noronha investiga surto de intoxicação por peixe

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Hospital São Lucas em Fernando de Noronha

Oito pessoas tiveram sintomas de ciguatera e receberam alta. Autoridades recomendam evitar guarajuba e barracuda.

A Vigilância em Saúde de Fernando de Noronha investiga um surto de intoxicação após o consumo de peixe. Na noite da quarta-feira (26), o Hospital São Lucas atendeu oito pessoas, entre moradores e turistas, com sintomas compatíveis com ciguatera.

Todos os pacientes receberam atendimento e já deixaram o hospital. Segundo o gerente de Vigilância em Saúde, Guilherme Santos, eles apresentaram diarreia, vômitos, dores musculares, redução dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial.

Além disso, a equipe de vigilância iniciou a investigação assim que identificou os casos. Até agora, as autoridades não divulgaram os nomes dos estabelecimentos relacionados aos atendimentos.

Vigilância coleta amostras de peixe

Equipes da Vigilância em Saúde foram aos estabelecimentos relacionados aos casos e coletaram amostras de peixe. Segundo Guilherme Santos, o material seguiu para o Recife e depois será encaminhado a um laboratório de referência no Rio Grande do Sul.

Enquanto isso, a equipe continuará acompanhando os pacientes por pelo menos 90 dias. Isso acontece porque a ciguatera pode provocar sintomas tardios, inclusive alterações neurológicas.

De acordo com a Vigilância em Saúde, as equipes entrarão em contato com os pacientes após sete, 15 e 30 dias. Além disso, os profissionais poderão acompanhar eventuais sintomas mesmo depois que os turistas retornarem aos municípios de origem.

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco informou que Fernando de Noronha registrou cerca de 190 casos suspeitos de ciguatera entre 2022 e 2025. Os registros envolvem moradores e visitantes.

O que é ciguatera?

A ciguatera é uma intoxicação causada pelo consumo de peixes que acumulam toxinas produzidas por microalgas marinhas. Essas substâncias entram na cadeia alimentar e podem chegar aos seres humanos.

Peixes menores entram em contato com as microalgas. Em seguida, espécies maiores consomem esses animais e acumulam as toxinas ao longo do tempo.

Além disso, o calor não neutraliza a ciguatoxina. Segundo a Vigilância em Saúde, fritar, cozinhar ou tratar o peixe com substâncias ácidas não elimina o risco.

Entre os sintomas estão náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais. Também podem ocorrer formigamento, alteração na percepção de temperatura, fraqueza muscular, visão turva, pressão baixa e redução dos batimentos cardíacos.

Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem ao longo de algumas semanas. No entanto, algumas alterações neurológicas podem continuar por meses.

Não existe tratamento específico para a ciguatera. Por isso, as equipes médicas concentram o atendimento no controle dos sintomas e no suporte ao paciente.

Autoridades recomendam evitar guarajuba e barracuda

Barracuda - Espécie de peixe

Barracuda está entre as espécies associadas a casos de ciguatera em Fernando de Noronha – Foto: Reprodução

Análises laboratoriais anteriores encontraram ciguatoxinas em amostras de guarajuba e barracuda consumidas em Fernando de Noronha. Diante disso, as autoridades de saúde recomendam evitar essas duas espécies na ilha.

A orientação vale principalmente para peixes com mais de dois quilos provenientes de áreas onde já ocorreram casos. Por outro lado, até a elaboração da nota técnica estadual, os testes não haviam encontrado a toxina em amostras de cavala e xaréu-preto.

As autoridades também orientam os consumidores a identificar a espécie do peixe antes do consumo. Caso surjam sintomas, a recomendação é guardar uma porção congelada do alimento para possível análise.

Além disso, pescadores, restaurantes e outros estabelecimentos devem restringir a oferta das espécies associadas aos episódios de intoxicação. Eles também precisam manter informações sobre a origem dos peixes e comunicar possíveis casos às autoridades de saúde.

Ao mesmo tempo, as equipes mantêm o monitoramento permanente dos casos e a coleta de amostras. Os órgãos responsáveis também acompanham a presença de microalgas do gênero Gambierdiscus, relacionadas à produção das ciguatoxinas.

Em caso de sintomas após o consumo de peixe em Fernando de Noronha, moradores e turistas devem procurar atendimento médico e informar o que comeram. O Hospital São Lucas funciona como unidade de referência para esses atendimentos na ilha.


Com informações do g1

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