PCC É ALVO DE NOVA MEGAOPERAÇÃO: FUNDO SUSPEITO LIGADO À FACÇÃO CRESCE 200% E MOVIMENTA R$ 205 MILHÕES

Uma nova ofensiva do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal revelou o tamanho da engrenagem financeira usada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para movimentar milhões de reais em esquemas suspeitos no setor de combustíveis.
Deflagrada nesta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto — segunda fase da megaoperação Carbono Oculto — identificou quatro fundos de investimento investigados por ligação com a facção criminosa que acumularam patrimônio estimado em R$ 205 milhões. Segundo o Ministério Público, os fundos tiveram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.
A investigação aponta que o PCC teria estruturado um sofisticado sistema financeiro paralelo para lavar dinheiro, ocultar patrimônio e movimentar recursos obtidos com fraudes e desvios envolvendo combustíveis.
FINTECHS FUNCIONAVAM COMO “BANCOS DO PCC”
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), seis fintechs investigadas atuariam como verdadeiros “bancos paralelos” da organização criminosa.
Segundo os promotores, essas empresas eram usadas para:
- compensações financeiras entre distribuidoras e postos de combustíveis;
- movimentações entre empresas e fundos de investimento;
- pagamento de operadores do esquema;
- despesas pessoais de integrantes da organização criminosa.
As autoridades afirmam que o PCC utilizava mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial para esconder os verdadeiros beneficiários do dinheiro movimentado.
OPERAÇÃO CUMPRE MANDADOS EM CINCO ESTADOS
A Operação Fluxo Oculto cumpre dezenas de mandados de busca e apreensão em empresas e residências nos estados de:
- São Paulo;
- Paraná;
- Mato Grosso do Sul;
- Minas Gerais;
- Rio de Janeiro.
Ao todo, são mais de 50 ordens judiciais expedidas contra investigados apontados como integrantes da engrenagem financeira do esquema.
ESQUEMA ENVOLVIA NAFTA E EMPRESAS DE FACHADA
As investigações revelaram que o grupo utilizava empresas de fachada para desviar nafta petroquímica — um solvente derivado do petróleo — e adulterar combustíveis.
Segundo o Ministério Público, parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até detentos eram usados como “laranjas” para registrar empresas que formalmente apareciam como compradoras dos produtos.
Na prática, porém, os solventes eram desviados para a Grande São Paulo.
RECEITA APONTA MOVIMENTAÇÕES BILIONÁRIAS
A Receita Federal afirma que o esquema investigado movimentou cifras gigantescas.
Segundo os investigadores, há indícios de aproximadamente R$ 26 bilhões em movimentações consideradas suspeitas ligadas às fraudes no setor de combustíveis.
A operação é considerada uma das maiores ofensivas já realizadas contra o braço financeiro do PCC.
PROMOTORIA APONTA “BALCÃO FINANCEIRO MARGINAL”
Em nota, o Ministério Público afirmou que as estruturas investigadas compartilhavam o mesmo “balcão financeiro marginal”, utilizando fundos de investimento e fintechs para ocultar recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.
“As estruturas desvendadas utilizaram-se do mesmo balcão financeiro marginal, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem”, informou a Promotoria.
As investigações continuam para identificar novos envolvidos e ampliar o rastreamento do patrimônio ligado à facção criminosa.