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Gonet aparece 33 vezes em relatório do Caso Master e pedido de nulidade amplia pressão

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Procurador-geral e familiares são mencionados em registros analisados pela PF; após divulgação do material, PGR pediu nulidade das apurações conduzidas por André Mendonça

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e integrantes de sua família aparecem ao menos 33 vezes em registros reunidos nas investigações do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). As referências constam de material produzido pela Polícia Federal e cujo sigilo foi levantado nesta terça-feira (1º).

A divulgação ganhou repercussão porque, após a retirada do sigilo, Gonet apresentou um pedido de nulidade das apurações conduzidas pelo ministro André Mendonça. O procurador-geral sustentou que o relator não poderia ter determinado diligências envolvendo outro integrante do Supremo sem autorização da Corte.

No caso, as investigações alcançaram menções ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo Gonet, Mendonça já tinha conhecimento de que o nome do colega aparecia no material quando determinou novas diligências à Polícia Federal.

O pedido deverá ser analisado pelo STF e, até o momento, não há decisão definitiva sobre a validade dos atos questionados.

Relatório registra contatos envolvendo Gonet

De acordo com o relatório da Polícia Federal, Gonet é mencionado tanto pelo nome quanto pela abreviação “PG” em mensagens atribuídas ao advogado Ciro Soares, que mantinha contato com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e atuava na interlocução entre o empresário e autoridades.

Em uma das trocas registradas, datada de 15 de março de 2025, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparecia ao lado de Gonet e afirmou que o procurador-geral queria falar com o empresário.

Outras mensagens, atribuídas a Gonet no relatório, tratam de encontros e de uma possível viagem para Londres. Em um dos registros, também há menção à possibilidade de um filho do procurador-geral participar de uma viagem após Gonet informar que não poderia comparecer.

A existência dessas mensagens, por si só, não representa conclusão de irregularidade ou responsabilidade criminal. O material deverá ser analisado no contexto da investigação e submetido às instâncias competentes.

Pedido de nulidade gera críticas no Ministério Público

A manifestação de Gonet também provocou questionamentos dentro do próprio Ministério Público Federal (MPF). Segundo relato publicado pelo Poder360, integrantes do Conselho Superior do MPF avaliaram, sob reserva, que o pedido de nulidade poderia ser inadequado diante das referências ao próprio procurador-geral no material.

Para parte desses integrantes, a análise poderia ser conduzida pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand.

A Lei Complementar nº 75/1993 prevê mecanismos para que um subprocurador-geral seja designado em determinadas situações envolvendo eventual apuração relacionada ao procurador-geral da República.

Além da delegação interna, a legislação também estabelece hipóteses de suspeição e impedimento. Até agora, no entanto, não há medida formal de afastamento, destituição ou processo de impeachment contra Gonet relacionada ao episódio.

Outro ponto questionado foi o argumento de que Mendonça teria determinado diligências por iniciativa própria. Integrantes do MPF compararam o procedimento com medidas adotadas anteriormente no Inquérito das Fake News, sob relatoria de Alexandre de Moraes.

Oposição aumenta pressão após divulgação do documento

A divulgação do relatório também provocou reação no Congresso. O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que integrantes da oposição pretendem cobrar do presidente do STF, Edson Fachin, uma análise do caso pela Corte.

Marinho defendeu que eventual atuação da Procuradoria seja feita por outra autoridade do Ministério Público diante das menções a Gonet no material. A oposição também relacionou o episódio às cobranças já apresentadas contra Alexandre de Moraes.

Essas manifestações têm caráter político e não representam conclusão judicial sobre a conduta dos envolvidos.

O relatório da Polícia Federal tem 218 páginas e foi elaborado a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero.

Segundo a própria PF, a análise foi realizada em 72 horas e não tem caráter exaustivo. Isso significa que o documento pode não conter todas as referências ou conexões existentes no material apreendido.

Parte das conversas também teria ocorrido por meio do recurso de visualização única do WhatsApp, o que dificultou a recuperação integral de alguns diálogos. Em determinadas situações, os investigadores conseguiram acessar apenas mensagens enviadas por Vorcaro, sem o conteúdo completo das respostas.

Agora, o STF deverá decidir sobre o pedido de nulidade apresentado pela Procuradoria-Geral da República e sobre os próximos passos da investigação.

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