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Perfis no TikTok divulgam venda de material de abuso infantil no Telegram

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Anúncios nos comentários levam a negociações no Telegram, onde o material ilegal é oferecido a partir de R$ 10

Publicações no TikTok estão servindo de ponto de entrada para a venda de material de abuso sexual de crianças e adolescentes no Telegram. Os anúncios aparecem principalmente nos comentários dos vídeos e direcionam interessados ao aplicativo de mensagens. Em um levantamento publicado nesta sexta-feira (25), o g1 informou ter monitorado mais de 30 perfis durante semanas e localizado ao menos 35 links associados à oferta do conteúdo ilegal.

Página com pacotes de material de abuso sexual infantil e formas de pagamento

Página oferece acesso gratuito a material ilegal para quem divulgar o link no TikTok | Foto: Reprodução

Os responsáveis pela divulgação usam referências indiretas nos comentários para tentar escapar da moderação. Além disso, nem sempre participam da publicação original: outras contas abordam pessoas que demonstram interesse e as encaminham para a negociação. Os códigos identificados pelo g1 não são reproduzidos nesta matéria para evitar sua propagação.

Os vídeos usados para atrair público também variam. Segundo o levantamento, alguns não apresentam relação aparente com o material anunciado, enquanto outros fazem referências mais claras ao assunto. Entre os exemplos está um vídeo gerado por inteligência artificial que simula Jeffrey Epstein. Nesse caso, são os comentários da publicação que conduzem interessados aos anúncios.

Vídeo no TikTok gerado por IA que simula Jeffrey Epstein, com comentários ocultos

Vídeo gerado por inteligência artificial que simula Jeffrey Epstein aparece em publicação com comentários usados para divulgar material ilegal. | Foto: Reprodução

Negociações no Telegram e pagamentos por Pix

No Telegram, os criminosos oferecem fotos e vídeos em conversas privadas, por ferramentas automáticas e em páginas abertas dentro do aplicativo. Os pagamentos podem ocorrer por criptomoedas ou Pix, e o g1 encontrou pacotes anunciados a partir de R$ 10. A reportagem também identificou ofertas de acesso gratuito em troca da divulgação dos anúncios, o que amplia seu alcance.

Capturas de anúncios e conversa sobre a venda de material de abuso sexual infantil no Telegram

Capturas obtidas pelo g1 mostram anúncios com preços e uma mensagem que oferece acesso ao material ilegal | Foto: Reprodução

O uso do Pix, porém, não impede o rastreamento. Policiais federais ouvidos pelo g1 explicaram que as transações deixam registros capazes de ajudar a identificar compradores. Segundo a reportagem, alguns vendedores recorrem a contas bancárias de terceiros para receber os valores.

Entidades alertam para a circulação do material

A SaferNet Brasil afirma que criminosos também usam outras redes sociais para atrair interessados antes de direcioná-los a aplicativos de mensagens. Além disso, a organização informou ter encaminhado à Agência Nacional de Proteção de Dados um levantamento de cerca de 1.093 contas do Telegram com indícios de material de abuso sexual infantil.

Os registros policiais citados pelo g1 mostram crescimento desse tipo de ocorrência no país. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, as autoridades registraram 4.063 casos relacionados à produção, posse ou distribuição desse material em 2025. Em 2024, foram 3.280.

No Brasil, a lei pune a produção, a venda e a posse de material de violência sexual contra crianças e adolescentes. Uma legislação sancionada em agosto de 2026 ampliou as medidas de repressão a esses crimes, inclusive quando ocorrem no ambiente digital. www.planalto.gov.br

Procurado pelo g1, o TikTok afirmou que remove conteúdos dessa natureza e bane permanentemente as contas envolvidas. Por sua vez, o Telegram disse proibir a distribuição do material e informou ter excluído mais de 339 mil grupos e canais relacionados ao tema em 2026.

Qualquer pessoa pode denunciar suspeitas de violência contra crianças e adolescentes pelo Disque 100, que funciona gratuitamente, 24 horas por dia. Em caso de risco imediato, é preciso acionar a polícia pelo 190.


Com informações do g1

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