Brasil
Flávio reúne 7 apoios e R$ 1,76 milhão em doações; Lula tenta reagir no 2º turno
Candidato do PL amplia alianças com partidos e ex-adversários, enquanto presidente aposta em mudanças na campanha e na mobilização de eleitores ausentes
Flávio Bolsonaro (PL) ampliou sua rede de apoios políticos e abriu vantagem sobre o presidente Lula (PT) nas doações de pessoas físicas registradas nos primeiros dias do segundo turno da eleição presidencial.
Desde o início da nova etapa da campanha, o senador recebeu o apoio da federação formada por União Brasil e Progressistas, além de Podemos, Republicanos e Novo. Parte dos diretórios estaduais do MDB também avalia anunciar apoio ao candidato do PL nos próximos dias.
Entre os adversários derrotados no primeiro turno, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) declararam apoio a Flávio. Juntos, os três receberam 6.380.205 votos na primeira etapa da eleição.
A adesão dos candidatos, porém, não representa transferência automática dos votos recebidos por eles. Eleitores podem mudar de escolha no segundo turno ou optar por voto branco, nulo ou abstenção.
Flávio também recebeu apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Segundo a campanha, o grupo deverá participar da indicação do eventual ministro da Agricultura caso o candidato seja eleito.
Lula recebe apoio de partidos menores
Do lado de Lula, novos apoios vieram de UP, PCB e PSTU. Este último orientou seus filiados e apoiadores a dar um “voto crítico” no presidente no segundo turno.
O PT já entrou na eleição aliado ao PDT, PSB e à federação PSOL-Rede. Entre os candidatos presidenciais que passaram a apoiar Lula depois do primeiro turno, Samara, da UP, foi a mais votada, com 122.911 votos.
Hertz Dias, do PSTU, e Edmilson Costa, do PCB, também declararam apoio ao petista.
A diferença entre os apoios recebidos pelos dois candidatos ganhou importância porque o segundo turno começou com disputa apertada nas pesquisas.
O Datafolha divulgado nesta semana mostrou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos e Lula com 48%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o que coloca os candidatos em empate técnico no limite da margem.
Flávio recebe R$ 1,76 milhão em doações
A diferença também aparece na arrecadação registrada no início do segundo turno.
Até a noite de quinta-feira (8), Flávio havia recebido R$ 1,76 milhão em doações de pessoas físicas desde segunda-feira. No mesmo período considerado pela reportagem do UOL, Lula ainda não registrava novas transferências de pessoas físicas no portal da Justiça Eleitoral.
Os números representam apenas as doações registradas naquele intervalo e podem mudar ao longo da campanha conforme novas receitas sejam declaradas à Justiça Eleitoral.
Lula mira 33 milhões que não votaram
Sem o apoio dos adversários mais votados do primeiro turno, a campanha de Lula passou a dar atenção especial ao eleitorado que não compareceu às urnas em 4 de outubro.
Esse contingente reúne cerca de 33 milhões de eleitores, segundo os dados citados pela reportagem.
Lula reconheceu problemas na organização da campanha durante o primeiro turno e iniciou mudanças na coordenação e na comunicação para a etapa decisiva.
Uma das estratégias passou a ser a produção de vídeos mais diretos para as redes sociais. Desde quarta-feira, a campanha intensificou gravações em formato selfie e conteúdos com artistas e apoiadores.
Após a divulgação da pesquisa Datafolha, Lula afirmou que seu objetivo é ampliar o número de votos no segundo turno e disse que não trabalha orientado por pesquisas eleitorais.
Disputa também passa pelos estados
Os candidatos agora começam a intensificar as agendas de rua.
Lula programou compromissos em Ceilândia, no Distrito Federal, e em Natal, no Rio Grande do Norte, onde aliados disputam o segundo turno das eleições estaduais.
Flávio, por sua vez, também prepara viagens e atos ao lado de aliados regionais.
Segundo o levantamento citado pelo UOL, seis candidatos ligados politicamente a Flávio disputam segundos turnos estaduais, contra quatro aliados de Lula.
O movimento de alianças ocorre enquanto as duas campanhas buscam ampliar suas bases para a votação definitiva. As pesquisas eleitorais registram a intenção de voto no período em que são realizadas e não representam previsão do resultado da eleição.
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