Política
Lobista ligada ao Careca do INSS transferiu dinheiro a ex-chefe de gabinete de Lula
Roberta Luchsinger fez pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou o Palácio do Planalto em julho; ex-assessor afirma que recebeu um empréstimo pessoal já quitado
A empresária e lobista Roberta Luchsinger transferiu dinheiro para Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marcola deixou o cargo no Palácio do Planalto em 21 de julho de 2026, cerca de duas semanas antes da divulgação das informações sobre os pagamentos.
Segundo o Poder360, os repasses somaram dezenas de milhares de reais, embora o veículo não tenha conseguido confirmar o valor total nem a frequência das transferências. Fontes ouvidas pela publicação mencionaram cifras próximas de R$ 80 mil, mas a reportagem informou que não obteve elementos suficientes para confirmar esse montante.
Após a publicação do caso, Marcola confirmou que recebeu os valores e afirmou que o dinheiro correspondia a um empréstimo pessoal já quitado. O ex-assessor também negou qualquer irregularidade relacionada às transferências, enquanto o próprio veículo destacou que não classificou as operações como ilegais.
Roberta aparece nas investigações sobre fraudes no INSS

Roberta Luchsinger e Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS – Foto: Reprodução
Roberta Luchsinger prestou serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que está preso desde setembro de 2025. A empresária aparece nas investigações que apuram fraudes contra aposentados e pensionistas, mas sua defesa afirma que responderá às acusações diretamente nos autos.
O Poder360 informou que confirmou as transferências para Marcola com quatro pessoas familiarizadas com o assunto. De acordo com a publicação, integrantes da cúpula do PT discutiram o episódio durante a convenção que lançou a candidatura de Lula à reeleição, realizada em 1º de agosto de 2026.
A reportagem também afirmou que o caso provocou preocupação entre integrantes do partido, que temem possíveis impactos políticos durante a campanha presidencial. No entanto, até agora, nenhuma autoridade relacionou oficialmente a saída de Marcola do governo aos pagamentos realizados por Roberta.
Marcola acompanhava Lula havia vários anos e ocupava uma função de confiança no Palácio do Planalto. Como chefe de gabinete pessoal, ele organizava a agenda de compromissos do presidente e mantinha o telefone usado para receber chamadas destinadas ao chefe do Executivo.
Relação com Lulinha também entrou no foco da Polícia Federal
Roberta Luchsinger também mantém uma relação próxima com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. As investigações sobre as fraudes no INSS citaram os dois desde abril de 2025, embora ambos neguem qualquer participação em irregularidades.
Em maio de 2026, Roberta afirmou que apresentou Lulinha ao Careca do INSS apenas por educação e negou ter intermediado negócios entre eles. A Polícia Federal, por sua vez, identificou ao menos seis viagens nas quais Roberta e Lulinha apareceram sob o mesmo código localizador das passagens aéreas.
Os dois viajaram para Portugal em junho de 2024 e também percorreram cinco trechos dentro do Brasil entre abril e junho de 2025. Os investigadores consideram essas viagens indícios da proximidade entre eles, mas a existência de deslocamentos conjuntos não comprova, por si só, a prática de crime.
O Poder360 também informou que a Polícia Federal encontrou mensagens entre Roberta e Lulinha em celulares apreendidos durante a Operação Sem Desconto. Segundo o veículo, as conversas mencionam negócios relacionados ao INSS, à Dataprev e a outras empresas, além de possíveis formas de receber e guardar dinheiro fora do alcance da Receita Federal.
Em uma das mensagens citadas pela reportagem, Roberta teria perguntado se deveria prosseguir com determinada operação, enquanto Lulinha teria respondido: “Pode fechar”. O veículo também relatou que os interlocutores mencionaram Luxemburgo como uma possível alternativa para guardar recursos, mas as autoridades ainda não divulgaram uma conclusão definitiva sobre o conteúdo das conversas.
Defesas negam irregularidades e aguardam acesso aos autos
O advogado de Roberta, Roberto Podval, afirmou que a defesa responderá às questões diretamente no inquérito conduzido pelo ministro André Mendonça. Segundo ele, os advogados ainda não tiveram acesso completo aos autos e, por esse motivo, não apresentariam novos esclarecimentos fora do processo.
Marcola declarou que recebeu os valores como parte de um empréstimo pessoal e que já devolveu todo o dinheiro. Além disso, afirmou que nunca manteve qualquer relação que caracterizasse ilegalidade durante o exercício de sua função no Palácio do Planalto.
A defesa do ex-assessor também criticou a forma como a informação ganhou repercussão. Entretanto, a reportagem original ressaltou que apenas confirmou a existência das transferências e não atribuiu caráter criminoso aos pagamentos
Com informações do Poder360
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