TCU apura compra de trens de 40 anos para o Metrô do Recife

Denúncia aponta possível sobrepreço na aquisição de seis composições do metrô de Belo Horizonte. Tribunal deu 15 dias para a CBTU apresentar toda a documentação da negociação.

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu investigação para apurar possíveis irregularidades na compra de seis trens usados do metrô de Belo Horizonte pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) do Recife. A aquisição, no valor de R$ 60 milhões, é alvo de denúncia que aponta suspeita de sobrepreço e questiona as condições das composições, que têm cerca de 40 anos de uso.

A decisão foi tomada pelo ministro Jorge Oliveira, relator do caso. Apesar de determinar a apuração, ele rejeitou o pedido de suspensão imediata da compra por entender que a medida poderia comprometer o funcionamento do sistema metroviário da capital pernambucana, que enfrenta déficit de trens e problemas estruturais.

Segundo a denúncia, os mesmos veículos da Série 900 teriam sido negociados anteriormente por aproximadamente R$ 4,2 milhões. O documento também afirma que uma empresa privada ofereceu à CBTU sete composições por R$ 28 milhões, valor bem inferior aos R$ 60 milhões pagos pela estatal por apenas seis trens adquiridos da concessionária Metrô BH.

Além da diferença de preços, o denunciante questiona o estado de conservação das composições. Os trens, segundo o relato, foram retirados de circulação em Belo Horizonte, possuem aproximadamente quatro décadas de uso e utilizam tecnologia considerada defasada.

Embora tenha negado a suspensão da negociação, o TCU determinou que a CBTU apresente, em até 15 dias, toda a documentação relacionada à compra, incluindo contrato, processo administrativo, ordens de compra e comprovantes de pagamento.

Após analisar os documentos, o Tribunal decidirá se houve irregularidades na negociação e se a aquisição respeitou os princípios da legalidade, da economicidade e do interesse público.

Ao justificar a negativa da medida cautelar, o ministro destacou que o metrô do Recife opera com sérias limitações e que a atual frota deve atingir o fim da vida útil até abril de 2027. Nesse contexto, a compra dos trens usados foi considerada uma solução emergencial para manter o sistema em operação até a futura concessão do serviço.

Procurada, a concessionária Metrô BH informou que os esclarecimentos sobre a venda das composições devem ser prestados pela CBTU. Até a última atualização da reportagem, a estatal não havia se manifestado.

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