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PF informa ao STF que investigação sobre Lulinha deve se estender além das eleições de 2026
DO ESTADÃO
A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de fraudes em descontos aplicados a aposentadorias e pensões do INSS, ainda demandará um longo período de análise antes da conclusão dos trabalhos.
Na prática, segundo documento encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a análise das provas relacionadas ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não deve ser concluída antes das eleições de 2026.
PF pede mais prazo
O pedido foi apresentado em resposta a uma determinação do ministro André Mendonça para que a Polícia Federal atualizasse o andamento das investigações.
Segundo o documento, menos de 38% do material apreendido até agora foi analisado.
A operação já reuniu cerca de 1.700 itens, entre documentos, computadores, celulares e outras mídias digitais. Mais de mil desses materiais ainda aguardam perícia.
De acordo com a própria PF, cada item demanda, em média, cerca de seis dias de trabalho técnico.
Prioridade será para investigados presos
No cronograma informado ao STF, a Polícia Federal afirma que dará prioridade aos materiais relacionados aos investigados que atualmente estão presos.
Em seguida, serão analisadas as provas referentes aos cerca de 30 investigados submetidos a medidas cautelares, como prisão domiciliar, uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte e bloqueio de bens.
Somente após essa etapa será iniciada a consolidação das informações referentes aos demais investigados, grupo no qual está incluído Fábio Luís Lula da Silva.
O que investiga a Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo descontos irregulares em benefícios do INSS.
Durante a investigação, o nome de Lulinha passou a ser citado em depoimentos, mensagens e registros de viagens relacionados ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela Polícia Federal como um dos principais investigados.
A PF obteve autorização judicial para quebrar os sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís com o objetivo de aprofundar a apuração.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Lulinha afirma que ele nunca participou do esquema investigado e sustenta que sua relação com Antônio Camilo era apenas social e esporádica.
Os advogados também informaram ao STF que a mudança de Fábio Luís para a Espanha começou a ser planejada antes da deflagração da Operação Sem Desconto, rebatendo qualquer interpretação de que a viagem teria o objetivo de escapar das investigações.
Segundo a defesa, a viagem feita por Lulinha e Antônio Camilo a Portugal teve como finalidade conhecer um projeto de produção de medicamentos à base de canabidiol, iniciativa que, de acordo com os advogados, nunca saiu do papel.
Os defensores também afirmam que a quebra de sigilo bancário demonstrou movimentações financeiras regulares e declaradas ao Fisco, negando qualquer vínculo de Lulinha com desvios no INSS.
Investigação continua
Até o momento, Fábio Luís Lula da Silva não foi denunciado nem condenado no âmbito da Operação Sem Desconto.
As investigações continuam sob supervisão do Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal informou que apresentará, nos próximos meses, um cronograma detalhado para a conclusão das análises periciais e dos relatórios finais do caso.
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