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Celular apreendido nos EUA revelou suposto esquema de R$ 10 bi ligado ao PCC, diz PF

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Uma perícia feita por autoridades dos Estados Unidos no celular de um brasileiro detido no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, na Flórida, ajudou a revelar um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.

O aparelho pertencia a Ygor Fokin Saviolli, apontado pela Polícia Federal como coordenador logístico de uma rede suspeita de lavar recursos do tráfico internacional de drogas.

Segundo a investigação, o material encontrado no celular deu origem a uma cooperação entre o Homeland Security Investigations, órgão de investigação do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, e a Polícia Federal brasileira.

A troca de informações ajudou a embasar a Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3), contra um suposto braço financeiro do PCC.

Celular tinha vídeos, mensagens e comprovantes

De acordo com a Polícia Federal, a análise do celular de Ygor revelou grande volume de mensagens, imagens, vídeos e comprovantes de movimentações financeiras.

Os investigadores afirmam que o material indicava operações ligadas à venda de drogas, especialmente haxixe, além de registros de transporte de dinheiro em espécie, câmbio, criptoativos e remessas internacionais.

Ainda segundo a PF, os suspeitos usavam linguagem cifrada nas conversas. Um dos termos identificados foi “iPhone”, que, conforme a investigação, seria usado para se referir a entorpecentes.

Esquema teria movimentado bilhões

A Operação Exchange cumpre 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.

Segundo a PF, o grupo utilizava uma estrutura sofisticada para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita. O esquema incluiria operações com dinheiro em espécie, empresas de fachada, criptoativos, transferências internacionais e compensações financeiras informais.

Ligação com brasileiro sancionado pelos EUA

Ygor Fokin é apontado como braço direito de Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposto envolvimento em uma rede internacional de lavagem de dinheiro associada ao PCC.

Segundo os investigadores, Ygor e Shimada dividiriam a liderança do esquema, atuando na logística, no controle financeiro e na movimentação de recursos.

Shimada, que também foi alvo da Operação Exchange, está foragido.

Na quarta-feira (1º), ele foi incluído na lista de sanções dos Estados Unidos, acusado pelas autoridades americanas de atuar como elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais.

Empresas teriam sido usadas para lavar dinheiro

A Polícia Federal afirma que empresas como a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. e a Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda. teriam sido utilizadas para movimentar, ocultar e dissimular recursos de origem ilícita.

A Victory Trading é ligada a Victor Shimada e também foi sancionada pelo governo dos Estados Unidos.

Segundo a PF, a rede funcionava como uma engrenagem financeira do crime organizado, com operadores responsáveis por receber, guardar, transportar e redistribuir grandes quantias de dinheiro, tanto em moeda nacional quanto estrangeira.

Stella foi presa; Shimada está foragido

Durante a operação, a Polícia Federal prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada pelos Estados Unidos.

Segundo as autoridades americanas, Stella seria colaboradora próxima de Shimada e atuaria na coleta de grandes quantias em dinheiro, além de prestar apoio logístico à rede.

A investigação aponta ainda que ela seria filha de Amauri Henrique de Oliveira, outro investigado apontado como responsável por apoio operacional, transporte e recolhimento de dinheiro em espécie.

Investigação internacional

O caso mostra uma atuação integrada entre autoridades brasileiras e americanas no combate à lavagem de dinheiro do crime organizado.

Segundo a Polícia Federal, as provas compartilhadas pelos Estados Unidos foram fundamentais para identificar a estrutura financeira investigada na Operação Exchange.

Os investigados poderão responder, em tese, por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Até o momento, os citados não foram condenados no âmbito desta operação e têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

As defesas dos investigados foram procuradas, e o espaço permanece aberto para manifestação.

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