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MPF investiga Luciano Huck e Globo após divulgação de plataforma eleitoral

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Luciano Huck durante o Domingão na TV Globo

Apuração foi aberta depois de questionamentos sobre o TemMeuVoto, divulgado no Domingão com Huck; plataforma nega favorecer candidatos ou partidos

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Sul abriu uma investigação para apurar se Luciano Huck e a TV Globo infringiram a legislação eleitoral ao divulgar a plataforma TemMeuVoto durante o Domingão com Huck, exibido ao vivo no domingo, 27 de setembro. A apuração foi instaurada depois que a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral.

A plataforma foi apresentada por Huck como uma ferramenta gratuita e apartidária destinada a comparar as opiniões dos eleitores com as posições de candidatos. Durante o programa, o apresentador explicou que o usuário responde a perguntas sobre diferentes temas e recebe percentuais de alinhamento com candidaturas.

Segundo a Folha de S.Paulo, a plataforma foi criada por 14 organizações, entre elas RenovaBR e Transparência Internacional Brasil. O sistema utiliza respostas fornecidas pelos próprios candidatos e outras informações para calcular a afinidade entre o eleitor e os nomes disponíveis.

Reclamações motivaram questionamentos

A investigação ocorre após relatos publicados nas redes sociais de usuários que afirmam ter recebido resultados concentrados em candidatos classificados por eles como de direita ou extrema direita, inclusive após respostas consideradas progressistas.

Essas alegações integram o questionamento levado ao Ministério Público, mas ainda precisam ser verificadas pelas autoridades. A abertura da investigação não significa que Huck, a Globo ou a plataforma tenham cometido irregularidades.

Além da representação apresentada por Fernanda Melchionna, outro questionamento foi levado à Justiça Eleitoral em São Paulo. O vereador Nabil Bonduki (PT-SP), candidato a deputado federal, pediu ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo a retirada da plataforma do ar e alegou que a divulgação poderia configurar publicidade eleitoral irregular em programa de televisão. O pedido está sob análise do tribunal.

A discussão ocorre a poucos dias das eleições e envolve principalmente a eventual influência da ferramenta sobre a escolha dos eleitores e o cumprimento das regras aplicáveis às emissoras durante o período eleitoral.

Plataforma nega favorecimento

Em nota, o TemMeuVoto afirmou que não recomenda voto e não favorece partidos ou candidaturas.

Segundo a plataforma, a metodologia é pública, aplica os mesmos critérios a todos os participantes e compara as posições dos eleitores e candidatos em oito temas. Quando uma candidatura responde diretamente ao questionário, essa resposta prevalece sobre estimativas produzidas a partir de outros registros.

A ferramenta sustenta ainda que o percentual exibido representa apenas afinidade entre posições e não uma indicação de voto. A decisão final, segundo a organização, permanece exclusivamente com o eleitor.

A TV Globo afirmou à Folha que ainda não havia sido notificada sobre a investigação. Luciano Huck não respondeu aos contatos realizados pelo jornal até a publicação da reportagem.

O MPF deverá agora analisar se a divulgação da plataforma durante o programa de televisão violou alguma regra da legislação eleitoral. Até o momento, não há decisão apontando irregularidade de Huck, da Globo ou do TemMeuVoto.

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