Conecte-se Conosco
 

Notícias

Amiga de Lulinha enviou a Marcola minuta de contrato de R$ 626 milhões para canabidiol

Publicado

em

Documento previa a venda de 1,2 milhão de frascos ao Ministério da Saúde; Polícia Federal encontrou a minuta nos celulares de Roberta Luchsinger e do lobista conhecido como Careca do INSS

Uma minuta de contrato no valor de R$ 626 milhões para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde foi enviada pela empresária Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O documento previa o fornecimento de 1,2 milhão de frascos de canabidiol, distribuídos em 36 tipos diferentes de medicamentos. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (20) pelo jornal O Globo, que teve acesso ao documento.

Segundo a reportagem, a negociação teria sido articulada pelo lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Minuta foi encontrada pela Polícia Federal

A Polícia Federal encontrou versões do documento nos celulares de Roberta Luchsinger e de Antonio Carlos Camilo Antunes.

A investigação apura a suspeita de que Luchsinger tenha sido contratada pelo lobista para ajudar a viabilizar o negócio junto ao governo federal, com possível participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

O caso envolvendo a atuação dos investigados é acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal.

Além da minuta do contrato, os investigadores localizaram versões de um termo de referência, documento técnico utilizado na preparação de contratações públicas. Uma das linhas de investigação é a possibilidade de que o material tivesse sido elaborado previamente para ser utilizado pelo Ministério da Saúde.

O negócio, segundo as investigações, seria realizado sem licitação, mediante contratação direta.

Áudio menciona dispensa de licitação

Um áudio obtido pela investigação registra uma conversa entre Luchsinger e Antunes sobre a possibilidade de utilizar a dispensa de licitação para viabilizar a contratação.

Na gravação, a empresária afirma que seria possível elaborar um documento para justificar a contratação direta com base na legislação de licitações e em uma situação de emergência.

Mensagens de WhatsApp também mostram Antunes buscando informações e modelos utilizados pelo Ministério da Saúde.

Em fevereiro de 2025, segundo a investigação, ele teria solicitado à equipe um modelo de documento que já tivesse sido efetivado no Ministério da Saúde.

A justificativa apresentada para a eventual compra seria a criação de um estoque governamental de medicamentos para atender pacientes que obtivessem na Justiça o direito ao fornecimento de canabidiol.

Lobista buscou fornecedores no exterior

Ainda segundo as informações divulgadas na reportagem, Antunes teria afirmado que faria reuniões com técnicos do Ministério da Saúde que, nas palavras atribuídas a ele, teriam poder para acolher a execução do projeto.

O lobista também teria viajado aos Estados Unidos e à Colômbia em busca de fornecedores de canabidiol.

Uma testemunha que trabalhou para a World Cannabis, empresa ligada a Antunes, confirmou à Polícia Federal o valor de R$ 626 milhões previsto na negociação.

Ministério da Saúde nega que compra tenha sido discutida

O Ministério da Saúde negou que tenha existido qualquer possibilidade de compra de canabidiol.

Em nota, a pasta afirmou que o produto não está incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que, por isso, não compra nem fornece esse tipo de medicamento.

O ministério também declarou que não possui contrato relacionado ao fornecimento do produto e que, segundo a atual gestão, nunca houve discussão sobre sua oferta na rede pública.

Marcola considerou recebimento “inadequado”

Segundo O Globo, Marcola disse a interlocutores que o recebimento do arquivo foi “inadequado”, mas afirmou que não houve favorecimento no episódio.

As defesas de Antunes e Luchsinger não haviam se manifestado sobre as informações divulgadas.

A defesa de Lulinha afirmou que mantém confiança nas instâncias responsáveis pela apuração e que se manifestará no processo após ter acesso integral aos dados obtidos por meio das quebras de sigilo.

O caso segue sob investigação, e as informações reunidas pela Polícia Federal ainda precisam ser analisadas pelas autoridades responsáveis.

Clique Para Comentar

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados

TENDÊNCIA

Copyright © 2026 | CARDINOT