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Empresas sem funcionários movimentaram R$ 10 bilhões e entraram na mira da PF e dos EUA, aponta Coaf
Relatório do Coaf revela movimentações bilionárias consideradas incompatíveis com a estrutura das empresas. Investigação apura suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Duas empresas sediadas em São Paulo, recentemente sancionadas pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), movimentaram cerca de R$ 10 bilhões entre janeiro de 2021 e agosto de 2024, segundo um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Os dados fazem parte da investigação da Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um suposto esquema internacional de lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, as empresas Hi Quality, do setor de comércio de eletrônicos, e Victory Trading, que atua formalmente na área de consultoria em tecnologia da informação, não possuem funcionários registrados e apresentaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com suas atividades declaradas.
Segundo o relatório, a Hi Quality movimentou aproximadamente R$ 5,4 bilhões, enquanto a Victory Trading registrou cerca de R$ 4,6 bilhões em operações financeiras no período analisado.
Conversas interceptadas reforçaram as investigações
As apurações avançaram após a Polícia Federal interceptar mensagens atribuídas a Ygor Fokin Saviolli, apontado pelos investigadores como um dos responsáveis pela logística financeira do grupo.
Em uma das conversas analisadas, Saviolli solicita uma conta bancária para receber recursos cuja origem seria ilícita.
“Preciso de um PIX para receber uns US$ sem procedência”, escreveu, segundo a investigação.
Na sequência, outro participante do grupo teria enviado os dados completos da empresa Hi Quality, incluindo banco, agência, conta corrente e CNPJ.
Em outubro de 2023, Saviolli foi preso no aeroporto de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. Conforme a Polícia Federal, a análise do celular apreendido revelou documentos bancários, comprovantes de movimentações financeiras, registros relacionados a criptomoedas e outras informações que passaram a ser compartilhadas entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
Empresário é apontado como líder financeiro do esquema
A investigação aponta o empresário Victor Shimada, sócio-administrador da Victory Trading, como o principal operador financeiro da organização investigada.
Considerado foragido pela Justiça brasileira, Shimada foi incluído, neste mês, na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, juntamente com sua empresa, por suposta ligação com o PCC.
Segundo o Coaf, além das movimentações realizadas pelas empresas, contas vinculadas diretamente ao empresário registraram operações que somam R$ 75,2 milhões.
Os investigadores afirmam ainda que a Victory Trading realizou operações envolvendo 32,8 milhões em criptomoedas, posteriormente remetidas ao exterior.
Esquema teria atuação internacional
A Polícia Federal afirma que a organização movimentava recursos em pelo menos oito cidades dos Estados Unidos, entre elas Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.
As investigações também apontam que as duas empresas utilizavam o mesmo contador, que foi alvo de mandado de prisão temporária durante a Operação Exchange.
PF diz que sanções dos EUA dificultaram a prisão
Durante entrevista, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a divulgação das sanções norte-americanas antes da deflagração da operação acabou permitindo a fuga de Victor Shimada.
Segundo ele, a antecipação da medida prejudicou a possibilidade de cumprimento do mandado de prisão.
Defesa nega acusações
Em nota, a defesa de Victor Shimada afirmou que apresentará todos os esclarecimentos no decorrer do processo e reiterou que o empresário nega qualquer participação em organização criminosa ou prática de lavagem de dinheiro.
As investigações continuam para apurar a origem dos recursos movimentados, identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão do suposto esquema financeiro.
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