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Lobista fez depósitos a assessores do ministro Wellington Dias

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Roberta Luchsinger ao lado do ministro Wellington Dias

Segundo o Estadão, mensagens e comprovantes mostram repasses feitos em 2023, meses antes de contratos da pasta com empresa representada por Roberta Luchsinger

A Polícia Federal (PF) encontrou mensagens e comprovantes de depósitos feitos em junho de 2023 a contas ligadas a dois servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Segundo reportagem do Estadão, a lobista Roberta Luchsinger orientou Ulisses Barbosa a retirar R$ 60 mil em espécie de sua residência e distribuir o dinheiro entre três contas. A reportagem não informa quanto cada uma recebeu.

Duas contas pertenciam a Ranniêr Costa Ciríaco, atual secretário-executivo adjunto do MDS, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias. De acordo com a apuração citada pelo jornal, a terceira pertence à mãe da filha de José Martinho. Procurado pelo Estadão, o ministério não se manifestou.

A PF localizou as conversas no celular de Roberta, além dos comprovantes dos depósitos realizados em 2 de junho de 2023. Nas mensagens, Ulisses demonstrou preocupação com o volume de dinheiro a movimentar. Roberta respondeu que os recursos seriam enviados para três contas diferentes.

Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, são investigados em inquéritos sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência. A defesa de Lulinha afirma que ele não tem relação com os depósitos e diz que não pode confirmar a autenticidade das mensagens. Já a defesa de Roberta declara desconhecer as conversas e critica o vazamento de informações de uma investigação sob sigilo.

Contratos e visitas ao ministério

Em dezembro de 2023, seis meses após os depósitos, o MDS assinou um contrato de R$ 31,2 milhões com a empresa de tecnologia 3Structure. Segundo o Estadão, Roberta representava o empresário Cléber Ribas, ligado à companhia. A pasta firmou depois um aditivo de R$ 2,7 milhões, em novembro de 2025, e um novo contrato de R$ 19,2 milhões, em abril de 2026. Os três valores somam R$ 53,1 milhões.

Em outra mensagem obtida pela PF, datada de 20 de junho de 2023, Roberta disse a Ribas que estava com Ranniêr e resolvia um problema do empresário. Registros do MDS apontam que ela visitou a pasta ao menos 17 vezes entre janeiro de 2023 e maio de 2024. Ranniêr constou como responsável por recebê-la em pelo menos seis dessas visitas.

A 3Structure afirma que desconhece os pagamentos relatados pelo jornal. A empresa também diz que seus contratos com o governo federal cumpriram as normas de contratação pública e passaram por análises técnicas e auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU). A investigação ainda precisa esclarecer a finalidade dos depósitos. Os dados apresentados não permitem concluir que os pagamentos tenham relação com os contratos.

Outras frentes da investigação

Roberta Luchsinger sentada durante entrevista

Roberta Luchsinger é investigada pela PF em apurações sobre sua atuação em negócios com o governo federal | Foto: Reprodução

Segundo o Estadão, a PF ainda analisa dados bancários de Roberta e deve apurar se houve outros pagamentos a funcionários do ministério. A investigação já havia identificado repasses de R$ 217 mil ao ex-chefe de gabinete do presidente Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

Mensagens encontradas no celular da lobista também indicam que ela mantinha mais de R$ 500 mil em espécie guardados em malas, conforme a apuração da PF. Outros diálogos mencionam uma ordem para entregar R$ 193 mil ao empresário Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha. A defesa de Bittar nega que ele tenha recebido os valores e afirma desconhecer a origem do dinheiro e o motivo da menção a seu nome.

Ao todo, a PF abriu três inquéritos para investigar a atuação de Roberta e Lulinha em negócios com o governo federal. Entre os assuntos apurados estão uma tentativa de venda de canabidiol ao Ministério da Saúde e suspeitas na intermediação de contratos de Cléber Ribas com órgãos públicos. As investigações seguem em andamento, sem conclusão sobre eventual responsabilidade dos citados.


Com informações do ESTADÃO

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