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Economia

São João em Pernambuco consome R$ 310,7 milhões e tem cachês de até R$ 1,5 milhão

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Levantamento do MPPE aponta quase 5,9 mil apresentações em 2026 e mostra que gastos ficaram praticamente estáveis em relação ao ano passado

Os festejos de São João em Pernambuco consumiram R$ 310,7 milhões em recursos públicos em 2026, segundo levantamento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Os dados foram reunidos pelo Painel de Festejos Juninos e abrangem programações realizadas em 184 municípios e no Distrito de Fernando de Noronha, entre 1º de abril e 2 de julho.

O valor supera em cerca de R$ 1 milhão o montante registrado no mesmo período de 2025, quando os gastos chegaram a R$ 309,6 milhões. Em termos proporcionais, o aumento foi de apenas 0,34%.

A comparação mostra um cenário bem diferente do observado entre 2024 e 2025. Naquele intervalo, os gastos com atrações juninas saltaram de R$ 203,2 milhões para R$ 309,6 milhões, alta de 52,34%.

Cachê médio sobe e chega a R$ 52,6 mil

Em 2026, o cachê médio pago aos artistas foi de R$ 52,6 mil, valor 7% maior que o registrado no ano anterior.

Em 2025, o cachê médio havia sido de R$ 49,2 mil. Já em 2024, a média era de R$ 38,5 mil.

Apesar da alta, o Ministério Público considera que o crescimento dos cachês perdeu força neste ano. Segundo o coordenador do Centro de Apoio Operacional em Defesa do Patrimônio Público e do Terceiro Setor do MPPE, promotor de Justiça Hodir Flávio de Melo, a orientação para que promotorias acompanhassem reajustes acima da inflação ajudou a conter aumentos mais expressivos.

Os maiores cachês registrados chegaram a R$ 1,5 milhão por apresentação.

Entre os exemplos está Wesley Safadão, que recebeu R$ 1,5 milhão por show em municípios como Caruaru, Araripina, Arcoverde, Carpina, Petrolina e Surubim, de acordo com os dados do painel.

Pernambuco teve quase 5,9 mil shows

Ao todo, 3.367 artistas foram contratados para 5.897 apresentações durante os festejos juninos de 2026.

Os números são menores que os registrados em 2025, quando o painel contabilizou 3.555 artistas e 6.290 apresentações.

Mesmo com menos shows e atrações contratadas, o volume global de recursos permaneceu praticamente no mesmo patamar.

Para o MPPE, esse comportamento indica uma estabilização dos investimentos públicos depois da forte expansão observada nos anos anteriores.

Segundo Hodir Flávio de Melo, os dados de 2024, 2025 e 2026 mostram que a maior aceleração dos gastos aconteceu nos dois primeiros anos analisados. Em 2026, o patamar foi mantido, com crescimento considerado residual.

Painel permite acompanhar gastos por município

O Painel de Festejos Juninos foi criado pelo Ministério Público de Pernambuco em 2024 e permite consultar os gastos com shows, os valores pagos a cada atração, as fontes de financiamento e dados relacionados à arrecadação tributária.

A ferramenta também possibilita verificar quais municípios concentraram os maiores investimentos e quais artistas receberam os cachês mais altos.

Segundo o MPPE, o objetivo é ampliar a transparência e permitir que órgãos de controle e a própria população acompanhem a evolução dos gastos públicos com festas juninas.

Os dados utilizados pelo Ministério Público são repassados voluntariamente ao Centro de Apoio Operacional em Defesa do Patrimônio Público. As informações também devem ser encaminhadas obrigatoriamente ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), parceiro da iniciativa ao lado do Ministério Público de Contas e da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe).

O MPPE afirma que o acompanhamento desses números ajuda a avaliar a razoabilidade dos investimentos e a evolução dos gastos com contratações artísticas ao longo dos anos.

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