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Prefeito expulsa médicos de hospital aos gritos após acusação de “namoro” em plantão; Cremepe reage

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Prefeito de Barreiros durante abordagem a médicos em hospital municipal

Carlinhos da Pedreira afirmou que profissionais descansavam enquanto pacientes aguardavam atendimento; conselho e sindicato criticaram exposição pública

Uma fiscalização realizada pelo prefeito de Barreiros, Carlinhos da Pedreira (PP), terminou em discussão, expulsão de dois médicos plantonistas e forte repercussão nas redes sociais. O gestor acusou os profissionais de estarem “dormindo” e “namorando” durante o plantão enquanto pacientes aguardavam atendimento no hospital municipal.

A abordagem aconteceu na noite de quarta-feira (4) e foi filmada pela própria equipe que acompanhava o prefeito. Depois da divulgação das imagens, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) repudiou a exposição pública dos médicos e afirmou que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos canais institucionais adequados.

Prefeito encontra médicos em sala de repouso

Segundo Carlinhos da Pedreira, a fiscalização ocorreu após reclamações relacionadas à demora no atendimento.

O prefeito afirmou que havia três médicos escalados para o plantão, mas apenas um estaria atendendo pacientes naquele momento.

Durante a vistoria, ele encontrou outros dois profissionais, um homem e uma mulher, dentro de uma sala identificada como “Estar Médico”.

Nas imagens divulgadas, o prefeito bate à porta, entra no ambiente e passa a questionar os dois profissionais.

Em seguida, ele os acusa de estarem descansando e “namorando” enquanto a emergência estaria cheia.

“Saiam daqui”, diz prefeito

Durante a discussão, Carlinhos eleva o tom e determina que os médicos deixem o hospital.

No vídeo, o prefeito chama a situação de “absurdo” e afirma que não admitiria que profissionais permanecessem no alojamento enquanto pacientes aguardavam atendimento.

Em determinado momento, também utiliza termos ofensivos contra os médicos.

As imagens viralizaram rapidamente e provocaram reações favoráveis e contrárias à atitude do gestor.

Prefeito muda tom em novo pronunciamento

Horas depois da primeira publicação, Carlinhos divulgou outro vídeo para explicar o episódio.

Nesse segundo pronunciamento, ele deixou de mencionar a acusação de que os médicos estariam “namorando” e afirmou que os profissionais estavam descansando durante o horário em que havia pacientes esperando atendimento.

O prefeito manteve, porém, a defesa da fiscalização e afirmou que havia determinado a retirada dos dois médicos por considerar a situação uma negligência.

Cremepe repudia exposição dos profissionais

O Cremepe divulgou nota manifestando repúdio à forma como os dois médicos foram expostos.

Segundo o conselho, questionamentos sobre cumprimento de escalas, assistência aos pacientes e funcionamento de unidades de saúde devem ser encaminhados aos órgãos competentes e submetidos a procedimentos formais de apuração.

A entidade afirmou ainda que o poder de fiscalização de gestores públicos não autoriza a exposição de profissionais ao julgamento público nem o comprometimento de sua honra, imagem e dignidade.

O Cremepe também destacou a necessidade de respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.

Simepe diz que vídeo não comprova “namoro”

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) também se manifestou sobre o episódio.

A entidade afirmou que a presença de um médico e uma médica em uma área destinada ao repouso dos plantonistas não permite concluir, por si só, que havia qualquer envolvimento íntimo entre eles.

O sindicato também criticou a exposição pública dos profissionais e defendeu que eventuais falhas no atendimento sejam devidamente investigadas.

Prefeitura rompe contrato de gestão do hospital

Após o episódio, a Prefeitura de Barreiros anunciou a rescisão do contrato de gestão da unidade com a Associação João Paulo II.

Segundo a gestão municipal, a Secretaria de Saúde passará a assumir temporariamente a administração operacional e assistencial do hospital.

A prefeitura informou ainda que iniciou os procedimentos para uma nova licitação destinada à contratação de outra organização para gerenciar a unidade.

Caso provoca debate sobre fiscalização e exposição

O episódio passou a provocar dois debates distintos.

De um lado, está a necessidade de apurar se houve falha no atendimento, descumprimento de escala ou abandono de pacientes durante o plantão.

Do outro, entidades médicas questionam a forma escolhida pelo prefeito para realizar e divulgar a fiscalização.

Até o momento, não foi divulgado resultado de procedimento administrativo que confirme oficialmente que os médicos abandonaram suas funções ou que estavam mantendo relacionamento íntimo durante o plantão.

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