Bastidores do poder: atuação de Alexandre de Moraes ajuda a derrubar Messias e isola André Mendonça no STF

A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelou um jogo de forças incomum nos bastidores de Brasília — e expôs a atuação direta do ministro Alexandre de Moraes na articulação que resultou na derrota do indicado do governo.
Segundo relatos de fontes do Judiciário, do Congresso e do meio político, Moraes se engajou nos dias que antecederam a votação para reforçar a campanha pelo “não”, alinhando-se à estratégia liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e por Flávio Bolsonaro.
Atuação nos bastidores e pressão sobre senadores
De acordo com apurações, Moraes teria acionado interlocutores para enviar recados a senadores — especialmente àqueles com processos no Supremo ou ligação com aliados do ministro no Congresso.
A movimentação reforçou a ofensiva contra Messias e contribuiu para consolidar um cenário adverso ao governo no plenário do Senado.
Aliança improvável chama atenção
A articulação resultou em uma convergência incomum: o ministro responsável por inquéritos sensíveis no STF atuando, ainda que indiretamente, em sintonia com setores da oposição bolsonarista — grupo que frequentemente critica sua atuação na Corte.
Nos bastidores, a avaliação é de que interesses circunstanciais acabaram aproximando atores políticos e jurídicos que, em outros contextos, estão em lados opostos.
Disputa interna no STF influenciou cenário
A possível nomeação de Messias era vista como um fator de mudança no equilíbrio interno do Supremo. Apoiado por André Mendonça, o advogado-geral da União poderia fortalecer uma ala da Corte e alterar a correlação de forças em julgamentos relevantes.
Nesse contexto, a derrota de Messias também representou um revés direto para Mendonça, que atuou ativamente nos últimos meses para viabilizar a indicação, buscando apoio entre senadores, especialmente do campo conservador.
Preferência por outro nome e tensão prévia
Fontes indicam ainda que Moraes não teria concordado com a escolha de Messias desde o início. O ministro teria defendido, junto a Alcolumbre, o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no STF.
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de optar pelo chefe da AGU teria gerado desconforto interno, ampliando as resistências à indicação.
Efeitos políticos e institucionais
A derrota de Messias — com apenas 34 votos favoráveis — não apenas representou um revés para o governo, mas também evidenciou disputas simultâneas: no Congresso, na relação entre os Poderes e dentro do próprio STF.
Após o resultado, Mendonça manifestou publicamente apoio ao colega, afirmando que o país “perde a oportunidade de ter um grande ministro”.
Cenário segue em aberto
O episódio aprofunda as incertezas sobre a próxima indicação ao Supremo e reforça o clima de tensão entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que a vaga no STF deixou de ser apenas uma escolha técnica — e se tornou peça central em um jogo político complexo, com impactos diretos no equilíbrio de poder em Brasília.