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Abstenção vira risco para Lula e pode favorecer Flávio no 2º turno

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Sudeste concentrou 15 milhões de eleitores ausentes e deu ampla vantagem ao candidato do PL no primeiro turno

A tentativa da campanha do presidente Lula (PT) de levar mais eleitores às urnas no segundo turno pode produzir um efeito diferente do esperado. Dados do primeiro turno mostram que as regiões com maior concentração de abstenções foram justamente aquelas em que Flávio Bolsonaro (PL) obteve vantagem sobre o petista.

O cenário não significa que uma redução da abstenção necessariamente beneficiará Flávio. No entanto, se os eleitores que faltaram às urnas seguirem um comportamento semelhante ao registrado entre os que votaram em cada região no primeiro turno, o candidato do PL poderá obter vantagem maior com o aumento do comparecimento.

A abstenção nacional chegou a 21,08% no primeiro turno, realizado no domingo (4), deixando 33.444.876 eleitores fora da votação. Flávio terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%.

Sudeste concentra maior número de ausentes

O principal desafio está no Sudeste. A região registrou a maior taxa de abstenção do país, com 22,7%, e concentrou 15.063.212 eleitores que não compareceram às urnas.

Esse grupo representa aproximadamente 45% de todas as abstenções registradas no Brasil no primeiro turno.

Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro venceu Lula com ampla margem na região. O candidato do PL recebeu cerca de 24,9 milhões de votos, contra 19,2 milhões do presidente, uma diferença de aproximadamente 5,7 milhões.

Por isso, o Sudeste representa o maior contingente de votos potencialmente recuperáveis pelas duas campanhas, mas também apresenta um perfil eleitoral que, no primeiro turno, foi mais favorável ao candidato do PL.

A mesma situação se repetiu em outras regiões onde a abstenção ficou próxima ou acima da média nacional.

No Centro-Oeste, 21,7% dos eleitores deixaram de votar, o equivalente a aproximadamente 2,6 milhões de pessoas. Flávio conquistou cerca de 5,1 milhões de votos na região, contra 3 milhões de Lula.

No Sul, a taxa de ausência chegou a 20,5%, com aproximadamente 4,7 milhões de eleitores fora das urnas. Flávio recebeu 10,5 milhões de votos, quase o dobro dos 5,5 milhões registrados por Lula.

Já no Norte, onde a abstenção foi de 19,4%, aproximadamente 2,5 milhões não compareceram. Flávio também venceu na região, com cerca de 5 milhões de votos contra 4,6 milhões de Lula.

Somadas, as ausências no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte chegam a aproximadamente 24,8 milhões de eleitores. Todas essas regiões deram vantagem a Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Nordeste oferece margem menor para recuperar votos

O Nordeste apresenta uma situação diferente.

Principal região eleitoral de Lula no primeiro turno, registrou a menor taxa de abstenção do país: 18,4%. Aproximadamente 8 milhões de eleitores nordestinos deixaram de votar.

Lula conquistou 21,5 milhões de votos na região, contra 10,4 milhões de Flávio, abrindo vantagem de cerca de 11,1 milhões.

O problema para a estratégia petista é que o comparecimento nordestino já foi proporcionalmente maior no primeiro turno. Isso significa que o número de eleitores disponíveis para serem mobilizados por meio da redução da abstenção é menor do que no Sudeste, onde Flávio apresentou melhor desempenho.

Ainda assim, não é possível concluir que os eleitores ausentes votarão da mesma forma que aqueles que compareceram no primeiro turno. A composição desse grupo e as decisões individuais dos eleitores continuam sendo fatores decisivos para o segundo turno.

Lula coloca abstenção no centro da estratégia

Depois do resultado do primeiro turno, Lula passou a tratar a mobilização dos ausentes como uma das prioridades para a etapa final da campanha.

Em reunião realizada na segunda-feira (5), o presidente questionou os motivos pelos quais milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas e defendeu que sua campanha busque entender e mobilizar esse grupo.

A estratégia deve incluir maior presença em programas de rádio, intensificação das atividades de campanha e participação em debates contra Flávio Bolsonaro.

Lula também tenta recuperar terreno depois de perder votos em relação ao desempenho obtido em 2022. Segundo os dados reunidos após o primeiro turno, o presidente teve aproximadamente 3,38 milhões de votos a menos do que quatro anos atrás.

A maior queda ocorreu no Sudeste, onde Lula perdeu cerca de 1,8 milhão de votos em relação à eleição anterior.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, recebeu aproximadamente 5 milhões de votos a mais do que Jair Bolsonaro havia registrado no primeiro turno de 2022.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as duas campanhas terão como desafio não apenas conquistar os eleitores que apoiaram outros candidatos, mas também mobilizar os mais de 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno.

Nesse cenário, a distribuição regional da abstenção ganha importância. Os números do primeiro turno indicam uma vantagem potencial para Flávio caso o aumento do comparecimento reproduza o padrão eleitoral observado no domingo, mas o comportamento dos eleitores ausentes permanece imprevisível.

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