Brasil
Como Flávio Bolsonaro deixou o Brasil? “Vou levar isso para o túmulo”, diz senador
De Miami, derrotado na eleição presidencial afirma ter organizado sozinho a viagem aos EUA, volta a questionar sem provas a vitória de Lula e diz que pretende influenciar a política brasileira à distância
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não pretende revelar como organizou sua saída do Brasil e a viagem que terminou em Miami, nos Estados Unidos, depois da derrota para o presidente Lula na eleição presidencial.
Em entrevista ao The New York Times, Flávio disse que teria preparado a operação sem ajuda de governos ou aliados e resumiu o segredo da viagem em uma frase: “Vou levar isso para o túmulo.”
A declaração ocorre em meio a versões conflitantes sobre os bastidores do deslocamento. Enquanto Flávio sustenta que agiu sozinho, reportagens americanas e argentinas apontam possível participação de pessoas ligadas aos governos dos Estados Unidos e da Argentina na logística da viagem.
Flávio diz que decidiu deixar o país após eleição
Segundo o relato dado ao jornal americano, Flávio teria decidido sair do Brasil na manhã seguinte à derrota eleitoral.
O senador afirmou que preferiu deixar o país a permanecer sob risco de prisão em investigações que considera politicamente motivadas. Ele nega irregularidades nas apurações em andamento no Brasil.
A saída aconteceu depois de uma decisão judicial que determinou a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio não cumpriu a determinação dentro do prazo e deixou o país.
Rota passou por Argentina e Equador
A trajetória conhecida até agora passou por pelo menos três países.
Segundo autoridades migratórias argentinas e dados de rastreamento de voos, Flávio e a família entraram na Argentina na noite de 27 de outubro.
Depois, embarcaram em um jato particular em Puerto Iguazú, com destino a Guayaquil, no Equador.
De lá, seguiram para Miami, onde chegaram na manhã de 28 de outubro.
Versões divergem sobre ajuda externa
Flávio afirmou ao New York Times que não recebeu ajuda de qualquer governo.
Essa versão, porém, é contestada por informações atribuídas a autoridades americanas e pessoas envolvidas na operação.
O jornal informou que um funcionário ligado à Casa Branca teria participado da organização do avião que levou o senador aos Estados Unidos e que a entrada no país teria sido autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.
Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que o governo dos Estados Unidos não organizou a saída de Flávio do Brasil. Segundo ele, Washington decidiu apenas permitir a entrada do senador e de sua família depois que eles chegaram ao território americano.
Assessor de Milei teria participado da operação
Outra frente da apuração envolve a Argentina.
Segundo reportagem do New York Times repercutida por outros veículos, Santiago Caputo, assessor próximo do presidente Javier Milei, teria encontrado Flávio no aeroporto de Puerto Iguazú.
Pessoas envolvidas na operação afirmaram que Caputo teria auxiliado em procedimentos relacionados à viagem. Flávio, por sua vez, disse não conhecer o assessor e negou ter recebido ajuda do governo argentino.
Flávio volta a questionar eleição sem apresentar provas
Já em Miami, Flávio voltou a contestar a vitória de Lula.
O senador afirmou que considera alguns resultados “matematicamente impossíveis” e voltou a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral. Até agora, porém, não apresentou provas de fraude que tenham alterado o resultado.
Lula venceu o segundo turno por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
Lideranças do próprio PL já declararam que não possuem provas de fraude eleitoral, apesar de questionamentos políticos e judiciais relacionados à campanha.
Partido não contesta resultado por fraude
Apesar das declarações de Flávio, o partido não apresentou contestação do resultado com base em prova de fraude nas urnas.
O senador afirmou que pretende continuar questionando aspectos da eleição e atuar politicamente do exterior, mesmo reconhecendo que suas iniciativas podem não alterar o resultado.
Na entrevista, ele disse considerar que perdeu “para o sistema” e afirmou que continuará tentando mobilizar aliados e apoiadores no Brasil.
Trump não reconheceu Flávio como vencedor
A chegada aos Estados Unidos ocorreu com autorização do governo Trump.
O presidente americano criticou publicamente a eleição brasileira, mas não reconheceu Flávio como vencedor nem anunciou apoio à tese de que ele seria o presidente legítimo do Brasil.
Segundo a Reuters, o governo americano não tinha, até o fim de outubro, planos de sustentar oficialmente essa reivindicação.
Trump também afirmou que Flávio poderia permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejasse, embora tenha dito não ter planos imediatos de encontrá-lo.
Investigações continuam no Brasil
Flávio permanece alvo de investigações no Brasil relacionadas a suspeitas financeiras.
O senador nega qualquer irregularidade e afirma ser vítima de perseguição política.
Até o momento, sua permanência nos Estados Unidos não encerrou os procedimentos judiciais brasileiros nem as investigações abertas contra ele.
A forma exata como a viagem foi organizada, quem financiou cada etapa e quais pessoas efetivamente participaram da operação ainda são pontos em apuração.
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