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PF investiga se aliados de Sóstenes criaram versão falsa sobre R$ 430 mil apreendidos em espécie
A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar da Câmara dos Deputados e agora busca esclarecer se pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) tentaram construir uma versão falsa para justificar R$ 430 mil em dinheiro vivo apreendidos durante uma operação realizada no ano passado.
Nesta etapa da investigação, advogados ligados ao parlamentar foram alvo de mandados de busca autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, o objetivo é apurar possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode configurar o crime de fraude processual.
Dinheiro foi apreendido em operação anterior
Os R$ 430 mil foram encontrados pela Polícia Federal em dezembro do ano passado, em um endereço ligado ao deputado.
Na ocasião, Sóstenes Cavalcante afirmou que o dinheiro era resultado da venda de um imóvel localizado em Ituiutaba, Minas Gerais, e que os valores ainda não haviam sido depositados em razão da rotina intensa de trabalho.
O parlamentar também declarou que os recursos eram lícitos, estavam devidamente declarados e negou qualquer irregularidade.
Escritura foi registrada após a operação
Um dos pontos analisados pela investigação envolve a documentação da venda do imóvel.
Segundo informações já divulgadas anteriormente, a escritura pública da negociação foi registrada em cartório apenas 11 dias após a operação da Polícia Federal que apreendeu o dinheiro.
No documento, consta a declaração de que o pagamento de R$ 500 mil, em espécie, teria sido realizado cerca de um mês antes da ação policial, durante a celebração do contrato entre as partes.
A escritura também registra que o ato foi formalizado por meio da plataforma eletrônica de autenticação de documentos.
Investigação apura contratos da cota parlamentar
A investigação da Polícia Federal também busca esclarecer suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de contratos de locação de veículos custeados com verbas da cota parlamentar da Câmara dos Deputados.
Segundo a corporação, há indícios de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude processual.
As diligências desta nova fase foram cumpridas no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais.
Defesa nega irregularidades
Sóstenes Cavalcante voltou a negar qualquer ilegalidade.
O deputado afirma que a venda do imóvel foi regular, que os recursos apreendidos têm origem lícita e que apresentará todos os documentos necessários durante o andamento da investigação.
Até o momento, não há condenação nem denúncia recebida pela Justiça contra o parlamentar nesse caso. A investigação segue em andamento, e os envolvidos têm garantidos o direito ao contraditório e à ampla defesa.
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